O TRADICIONAL CASAMENTO DO SELEÃO

Criado em 1995, o Casamento do Seleão passou de uma simples brincadeira, entre moradores dos bairros da Coplan, Edla Costa, Itapicuru e Andaraí, para um grande e importante evento, uma tradição que fecha o período junino no município de Cruz das Almas, no Recôncavo Baiano. A Prefeitura Municipal abraçou a realização do evento, que é organizado por Cid, Paulinho e Nai, e leva para a Praça dos Leões, na Coplan, uma grade de muito forró com atrações da cidade e região.

(FONTE:http://www.jornalregional.site/2018/07/criado-ha-23-anos-em-cruz-das-almas.html; Foto: #ForteNoReconcavo )

MESTRES ESPADEIROS

Alguns mestres espadeiros de Cruz das Almas. Ou seja, não simplesmente tocadores de espada, mas eram ou são referência na ciência do fabrico de uma boa espada e na arte de saber tocá-la:

  • Antonio da Paz, pai do vereador Osvaldo da Paz
  • Benedito Vermelho
  • Manhoso
  • Vaúca
  • Gilmar Mascarenhas Souza
  • Zeca Sampaio
  • Agenor Sampaio 
  • Leonidio Sacramento 
  • Abel Gustavo da Silva
  • Totonho Fogueteiro
  • Seo Mundinho da Coplan (além de fabricar, destacava-se na forma elegante com que tocava a espada)
  • Pedro de Seo Né
  • Flávio de Dé, da Sapucaia
  • Vicente de Paula Sampaio (Nego) 
  • Cao de Bob
  • Bila, da praça do Landulfo Alves
  • Cid, motorista da Cofel
  • Massa e Maxixe, irmãos de Vaúca.
  • Santo do Itapicuru
  • Conrado
  • Luciano Queiroz (Lucinho Perú).
  • Paulo de Coscotinho
  • Agenor da Embira
  • Seo Neco, da Rua da Vitória
  • Antônio Mariane, Lico filho de Zé do Alho
  • Sérgio Lopes

BREVE HISTÓRIA RECENTE DAS ESPADAS

O termo espada liga-se, de imediato, ao fato de ser possível a sua manipulação por parte do guerreiro, como é chamado aquele que vai para as batalhas de espada, as guerras de espada. O feixe de luz propiciado pela queima da pólvora, quando é noite, produz uma imagem muito bela e, poder-se-ia dizer, uma imagem ao mesmo tempo temida e fascinante, ainda mais quando associada ao seu efeito sonoro, assemelhando-se a uma espada em movimento, uma arma-brinquedo animada e até mesmo dotada de “personalidade”, melhor dizendo, de mana transmitido da parte do fabricante, do possuidor, ao objeto possuído; senão que mana reivindicado por aquele que, mesmo sem tê-la fabricado, à utiliza em confiança de ser fortalecido por seu poder. Esta, a espada, objeto caracteristicamente significativo em sua ligação com a fantasia que se forma em torno da idéia de nobrezas guerreiras e castas medievais androcêntricas. Aliás, esse medievalismo, um medievalismo ibérico combinado à herança oriental e moura, parece inscrever-se em muito da produção estética sertaneja brasileira, uma certa mitologia do sertão encantado.

As antigas espadas em Cruz das Almas eram feitas de um espécie de bambu chamada taboca (Guadua weberbaweri), utilizando-se cortes do seu tronco em sua estrutura externa, tratava-se de um tipo de madeira de menor espessura e mais frágil que o bambu3 atualmente utilizado nas espadas atuais. Já a utilização de bambus com maior diâmetro, resistência e tamanho dos gomos, é herança da utilização dessas mesmas dimensões no antigo buscapé, também um foguete de rabeio, mas que explode no final. As antigas espadas se assemelhavam muito mais aos chamados coriscos atuais e, pelo que me foi informado, não havia a utilização de limalha de ferro nos mesmos. A utilização predominante do bambu atual, ao que parece começou a ocorrer entre as décadas de 1930-1940, justamente quando a guerra foi se tornando um padrão no processo de desenvolvimento do divertimento. Nesse momento, a administração local passou a combater a utilização de buscapés, uma vez que esses propiciavam um risco intenso ao explodir, inclusive porque, uma das formas de se brincar com a espada, é justamente pela prática da desentoca, ou seja, correndo-se atrás da espada que foi atirada contra si mesmo, e atirando-a de volta ao primeiro tocador, ou apenas pisando na espada. Tal prática, ao que parece, produziu no passado machucados gravíssimos em muitas pessoas por conta justamente da convivência entre toca de espada e buscapé, quando exteriormente idênticos. A partir da década de 40, a estrutura básica da guerra, com a eliminação dos buscapés da brincadeira e com as brincadeiras e chistes característicos entre amigos e familiares nos festejos, estava já praticamente definida, a não ser por três fatores interligados que só poderão se configurar posteriormente: 1) na década de 40 o festejo junino ainda era um festejo basicamente familiar e doméstico, no sentido da família extensa, tendo Cruz das Almas provavelmente não mais que 15.000 habitantes; 2) o fabrico naquele momento ainda era predomínio quase exclusivo de fogueteiros profissionais; 3) por fim, a festa não tinha nenhuma relação com o turismo, estando a cidade relativamente isolada de moradores não nativos, ou pelo menos, moradores que não tenham vivido experiências lúdicas semelhantes em suas cidades de origem, considerando-se a popularidade do São João no interior do nordeste, e mesmo do Brasil até esse momento.

(FONTE: BRINCANDO COM FOGO: ORIGEM E TRANSFORMAÇÕES DA GUERRA DE ESPADAS EM CRUZ DAS ALMAS, Dr. Moacir Carvalho, UnB. in http://www.cult.ufba.br/enecult2009/19327.pdf )

DA SÉRIE: “SÃO JOÃO PASSOU POR AQUI?” – 2

Foto: Paulo Galvão Filho / 2019

A senhora Raimunda Silva Souza estava com 74 anos quando nos concedeu um pequeno mas valioso relato oral de suas memórias sobre as festa de São João na cidade. Hoje falecida, nasceu em Cruz das  Almas  em  1936  e  pôde  vivenciar  a  festa  por  um  longo  período.  Como  um  número significativo de mulheres da cidade, trabalhou nos armazéns de fumo desde os seus 14 anos, mãe solteira de filhos gêmeos, após o falecimento de seu marido, criou seus filhos sozinha, com a renda obtida no trabalho nos armazéns de fumo. Segundo as suas memórias, o “[…] São João era o seguinte… alegre, o povo entrava nas casas, pra gente brincar, sair, comer na casa dos vizinhos. Era bandeirola, fita… e ainda bota. Se reunia a rua toda pra botar”.

Essa, aliás, parece  ser ainda  uma  prática  comum  para  muitos  moradores  de  Cruz das Almas: a  forma  de  partilhar a arrumação das ruas, organizar mesas, receber pessoas em casa, socializar comidas e bebidas típicas da época.

(FONTE: Depoimento de dona Raimunda Silva Souza , 74 anos, operária de Armazém de Fumo. Entrevista realizada em Cruz das Almas-BA in  https://docplayer.com.br/81884849-Universidade-do-estado-da-bahia-uneb-departamento-de-ciencias-humanas-campus-v-programa-de-mestrado-em-historia-regional-e-local.html )

DA SÉRIE: “SÃO JOÃO PASSOU POR AQUI?” – 1

Segundo a tradição oral, a exemplo das memórias de D. Maria Pereira que, aos 74 anos de idade, nos relatou ter herdado as práticas da festa de seus pais, os festejos de São João sempre estiveram presentes no cotidiano dos cidadãos cruzalmenses

“O São João que eu conheci, eram primeiramente meus pais que faziam, as portas eram  todas  abertas,  tinham  as  espadas  os  busca-pés,  mas  naquele momento  não  empatavam,  tinham  os  ternos,  que  eu  chamo  de  terno,  as pessoas saiam tudo fantasiado como as quadrilhas, saiam pelas ruas que não tinha negócio do arraiá, saiam tudo pela rua, chegava nas casas todo mundo entrava as mesas já tava tudo preparada com todo tipo de comida, com bolo, com  canjica,  amendoim,  pamonha,  licor  de  maracujá,  jenipapo,  pau-nas-coxa, [risos], tinham um outro mais eu não to lembrada agora […] ali todo mundo cantava, dançava forró, depois tornava sair corria todas as ruas.”

(FONTE: Depoimento de dona Maria Pereira da Silva, 74 anos, operária de Armazém de Fumo. Entrevista realizada em 13/05/2012, Cruz das Almas-BA in https://docplayer.com.br/81884849-Universidade-do-estado-da-bahia-uneb-departamento-de-ciencias-humanas-campus-v-programa-de-mestrado-em-historia-regional-e-local.html )

SÃO JOÃO NO CLUBE

O jornal Nossa  Terra, em sua edição de nº 46 datado em 19 de junho de 1955, escreve  uma  reportagem  elogiando  um  tradicional  baile  de  São  João  que acontecia no Clube Cruz das Almas: 

Conforme  já  noticiamos  a  diretoria  do  “Cruz  das  Almas  Clube”  tomou  a feliz iniciativa de reviver, entre nós, os tradicionais bailes das vésperas de São  João,  que  no  passado  tanta  vida  e  encantamentos  proporcionavam  à cidade e muito especialmente às famílias, que reunidas nos salões festejavam alegremente  o  querido  santo  das  fogueiras,  consolidador  dos  namoros nascidos nas trezenas de Santo Antonio. Em torno dos brazeiros havia juras de compadresco enquanto moçoilas catitas e casadoiras tiravam sortes e toda a noite se coloria de cambiantes e balões. Em casa aguardando as visitas, cheiravam  os  pratos  das  cangicas,  bordado  de  canela-em-pó,  enquanto  o loiro  “genipapo”  era  farto  nas  frasqueiras  de  cristal.  Amendoim  cosido, pamonhas e milho assado, guloseimas de toda sorte completavam as alegrias joaninas, deixando no coração da gente a saudade do São João passado, que era amenizado com as esperança de novo São João. Estão de parabéns pois os diretores do “Cruz das Almas Clube”, pela noitada que vai oferecer a 23 deste, nos seus salões tipicamente ornamentados para esse fim.

(FONTE: Jornal Nossa  Terra nº 46 de 19 de junho de 1955.)

FORRÓ NA MORÁ

A partir de 1993, durante a gestão do prefeito Carmelito Barbosa Alves, o “Arraiá do Laranjá” realizado no Sumaúma passou a chamar-se “Forró Na Morá”, um trocadilho de namorar (ato de encontro amoroso) e na moral (comportamento ético). Eis, a seguir, uma retrospectiva da programação e atrações artísticas da festa nos anos de 1993 a 1996:

(FONTE: CARTILHA DO FORRÓ NA MORÁ – IV , uma colaboração de Rei Cônsul)

A GUERRA DE ESPADAS

Crônica sobre a tradicional batalha de fogos que acontece em Cruz das Almas, todos os anos, a 24 de junho, quando aqui atingem o clímax os festejos juninos.

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Bárbaro, semibárbaro, selvagem ou não, respeitados os sentimentos e as opiniões que despertam e originam, abstraídas certas naturais restrições e considerando do ângulo estético, temos de convir que é algo digno de ver-se, essa arrojada acrobacia faiscante e policrômica das “espadas”, nas olimpíadas disputadas nos dias dos festejos joaninos, e que serve de palco à nossa principal praça, a Municipal. E temos de reconhecer também, que já estão ganhando fama, fazendo “astros” e escola, a técnica, a perícia e a audácia dos aficionados do original esporte, que tem algo de espartano.

Espetáculo digno de ver-se, essa orgia louca de fogos, que cedo se inicia, intensificando-se gradualmente, para atingir o ponto máximo em intensidade e beleza quando jovens, adultos e quase crianças empenham-se nestes fogos florais, a esgrimirem em combates singulares ora em grupos, por vezes em “comandos” ou incursões solitárias, mas sempre a investirem, sem tergiversações nem temores, gládios flamejantes em punho, contra os alvos que lhe antepõem os outros preliantes, isolados ou não, sem atentarem nos perigos nem se cuidarem dos riscos ou danos físicos, relampejando fagulhas e chamas, quais iracundas potestades ou humanos arcanjos.

Dignas de ver-se, realmente, a calma, a precisão, a elegância com que investem e negaceiam, atacam, defendem-se e contra atacam, seguros e serenos, tripudiando sobre os répteis de fogo, dominando-os e devolvendo-os, com elegantes passes de toureador.

Se alguns, acrobatas e trapezistas aerodinâmicos, esmeram-se e estremam-se, librando-se em airosos remígios ou formando estranhas figuras geométricas, outros há que se exibem a saltitar, aos jatos, quais minúsculos dragões apocalípticos, em fúrias inúteis-salamandras vencidas, nos estertores agônicos.

E contemplareis, enfim, em meio às rajadas de fogo e cortinas de fumaça, os pequenos gavroches que formam espetáculo à parte, disputando os despojos da refrega que são os troféus dessa original e especializada olimpíada joanina.

Mario Pinto da Cunha, junho/1957.

(FONTE: Texto postado por Lita Passos in http://institutocampolimpo.blogspot.com/2012/02/ . Foto meramente ilustrativa)

ARRAIÁ DO LARANJÁ: O COMEÇO DE UM NOVO CICLO DE FESTAS JUNINAS.

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Em 1989, na administração do prefeito Lourival José dos Santos (de 1989 a 1992), iniciou-se o ciclo de festas juninas urbanas espetaculares em Cruz das Almas, com a realização da primeira edição do chamado “Arraiá do Laranjá”. A temática da festa se deve ao processo de citriculturalização do espaço agrário do município no período pós-crise fumageira. Na composição estética do espaço festivo, procurou-se destacar uma suposta nucleação urbana imersa em um mundo rural, prática recorrente nas festividades do ciclo junino na atualidade.

Nessa primeira experiência de festa junina concentrada na praça do Parque Sumaúma, o evento teve uma dimensão espacial reduzida e ainda muito simples(…), a Praça do Parque Sumaúma estava envolta de áreas livres de edificação e o largo, pouco utilizado pela população, estava encoberto com gramíneas. Edificou-se no centro da praça uma casa de taipa típica como marco inicial das festas juninas concentradas de Cruz das Almas, buscando-se ambientar esteticamente o espaço como um simulacro de área rural tradicional do Nordeste brasileiro. Na concepção dos organizadores do evento festivo, o casebre de sopapo estaria envolto de uma simbologia, através da qual se fazia uma ponte entre o passado predominantemente rural das festividades do período junino, que progressivamente eram cooptadas pelo espaço urbano.

Com a consolidação do caráter espetacular da festa, montou-se um palco maior, com a frente voltada para as principais vias de canalização do fluxo de foliões juninos, o que significou uma mudança na dimensão escalar do evento festivo, que passou, aos poucos, a apresentar um raio de abrangência regional.

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Parque Sumauma
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Considerando-se, então, a cronologia gestionária em Cruz das Almas, pode-se afirmar que as festas juninas na Praça do Parque Sumaúma iniciaram-se no final da década de 1980 como uma iniciativa do prefeito Lourival José dos Santos e que foi mantida pelo seu sucessor, Carmelito Barbosa Alves (1993-1996), que mudou o nome do evento para “Forró Na morar”, como estratégia de criar uma nova identidade vernacular a uma experiência festiva urbana que se mostrava exitosa. O prefeito Raimundo Jean Cavalcante (1997-2004) se preocupou mais em potencializar a espetacularização e midiatização da festa.

O prefeito Orlando Peixoto Filho (2005-2012) manteve a estrutura de espetacularidade, mas procurou introduzir elementos, como uma cidade cenográfica, e elegeu como tema da festa o “Arraiá da Cultura Popular”. Procurou-se valorizar manifestações culturais locais no contexto da megafesta junina e descentralizou-se o espaço de deflagração festiva, montando-se um palco com apresentações na então recém inaugurada Praça Multiuso, na entrada cidade.

Na festa junina de Cruz das Almas tem “arraiá” para adultos e crianças. O espaço destinado aos pequeninos, na verdade um projeto pedagógico, foi batizado de “Arraiá do Laranjinha”, numa homenagem à fruta típica da região. Lá as crianças podem curtir o som do forró, apresentações de quadrilhas e a feirinha de artesanato e guloseimas típicas que também agrada aos pais.

Nota-se, portanto, que houve progressivamente, até 2012, uma ampliação espacial da festa.

(FONTES: CASTRO, JRB. Da casa à praça pública: a espetacularização das festas juninas no espaço urbano. Salvador: EDUFBA, 2012, 342p. ; NOTAS DO EDITOR DESTE BLOG)

O CASAMENTO DO CEAT

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A ORIGEM – No final da década de 70, no COLÉGIO ESTADUAL ALBERTO TÔRRES – CEAT, foi desenvolvido um projeto pedagógico intitulado São João na roça. Esse projeto visava despertar no alunado o interesse pela cultura popular e constituía na escolha de tarefas relacionadas com o São João por turma de alunos, que depois de apresentadas foram avaliadas para notas mensais. As tarefas escolhidas pelos alunos foram: comidas típicas, quadrilhas, dança de roda e casamento na roça. Depois das apresentações, o Casamento na Roça foi o que mais se destacou pelo seu desempenho e criatividade. O uso de licor, queima de espadas e outros fogos de artifícios no recinto do CEAT, eram naquela época proibido, porque feriam o regimento interno do estabelecimento. Por isso, todos os anos os alunos insistiam nessa prática, mesmo sendo contrárias ao regimento interno do CEAT sempre contornado pela direção. Surgindo assim uma ideia para a solução do problema, pleiteada pelos alunos como Sérgio Lopes, seu irmão Valtinho e outros, para que o Casamento fosse a partir dali, realizado na Praça Senador Themistocles. Acatada pela direção da época, constituída por Eleacy Leal, diretora e os vices diretores, Antonio Batista, Maria Antonia e Edelsuita Sampaio que fizeram uma exigência: para que a arrumação do Casamento fosse sempre no recinto do CEAT. Assim surgindo o CASAMENTO, que virou tradição. Daí em diante, o Casamento sempre foi arrumado em uma das salas do colégio, onde um aluno se travestia de noiva e uma aluna de noivo; o padre era sempre um aluno; todos vestidos a rigor, saindo do CEAT, conduzido por uma carroça enfeitada, passando pela Rua da Estação até a Praça dos Artífices, em direção a rua do hospital, rua da Suerdieck, Rua Crisógno Fernandes, daí até o coreto na Praça Senador Themístocles, onde acontecia a cerimônia do Casamento em grande estilo. Depois a festa se transformava numa grande batalha de espadas, consequentemente dando início ao São João de Cruz das Almas. Portanto o CASAMENTO DO CEAT é uma tradição criada pelos alunos daquela casa de ensino há mais de vinte anos, que também contou na época, com o entusiasmo de pessoas como o Capitão Antonio Leite e outras figuras que participavam do evento. ¹

O Casamento do CEAT, que aconteceu até o ano de 2011, “significava, para os foliões apreciadores das espadas, o mesmo que os antigos “gritos” de carnaval ou de micaretas significavam, ou seja, o anúncio da aproximação de uma determinada festa e a divulgação desse evento. É o grito do espadeiro, alterando o cotidiano da cidade em um dia comum, o que descortina uma atmosfera de irreverência em espaço público”.²

 

(FONTE: ¹Prof. ANTONIO BATISTA, ex-diretor do Colégio Estadual Alberto Tôrres. Eng° Agrônomo, Professor de História, Doutor-Honoris Causas pela UNI AMERICAN e Bacharel em Direito); ²Da Casa à Praça Pública – A espetacularização das festas juninas no espaço urbano. JÂNIO ROQUE B. DE CASTRO, EDUFBA 2012)