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ALMANAQUE CRUZALMENSE, uma publicação virtual que reúne dados históricos, curiosidades e informações variadas sobre o Município de Cruz das Almas, na Bahia, com a única intenção de despertar, registrar e preservar a memória afetiva do nosso povo. Este blog é idealizado, organizado e administrado por Edisandro Barbosa Bingre. Sejam bem-vind@s!

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NOSSO PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO DEVE SER PRESERVADO

Quem lembra das fachadas das casas de antigamente? Com seus belíssimos detalhes arquitetônicos, algumas eram grandes e luxuosas, outras nem tanto, até bem simples, porém bem trabalhadas. Lembro-me de ter vsto algumas ao longo da Rua Lauro Passos na Baixinha da Vitória, na Rua da Vitória, na Rua das Poções, na Praça Senador Temístocles, na Avenida Alberto Passos e na Crisogno Fernandes. Eram lindas, típicas das cidades interioranas mais desenvolvidas!

É uma pena ver que na maioria dessas cidades, e em Cruz não tem sido diferente, estas edificações estão sendo destruídas. Hoje, a arquitetura da cidade não revela quase nada de seu passado já secular. São poucos os locais que ainda guardam a beleza original. Sem orientação, alguns proprietários de imóveis que ainda mantinham uma arquitetura reveladora do passado, fazem reformas ou demolições, levando embora, junto com os entulhos, uma história que deveria ser preservada. É realmente lamentável, uma triste realidade!

Quem foram alguns dos grandes Mestres-de-Obras de nossa cidade? Segundo Hermes Peixoto em Vultos e Imagens do Cruzeiro das Almas, 2012

“As primeiras construções
Feitas com muito amor
Com marcas de Mestre Franco
Excelente construtor
De Mestre Sala o italiano
E de Ótens o inovador

Enquanto Franco fazia
As casas, e muito bem
Mestre Sala arquitetava
Construções como ninguém
E Ótens o alemão do fumo
Espaçosos armazéns”

O VENDEDOR DE TABOCA

Taboca 
A palavra de origem Tupi, Ta’woka (planta oca, cana) dá nome a uma das delícias da cozinha doce baiana: um biscoito muito fino e delicado, feito da mistura de farinha de trigo, farinha de mandioca, açúcar e água. Preparado de forma artesanal, e por fim, prensado numa espécie de chapa, onde, em seguida é moldado em um cabo de vassoura. Quando provado, dissolve na boca, tem espessura delicada e fina, como uma folha de papel pardo. 

A Taboca, em  outras épocas, era levado nas costas do vendedor, uma especie de recipiente feito com duas latas de manteiga soldadas, que o vendedor trazia preso às costas atado por uma arreata de couro, que servia para proteger e transportar. O triângulo era usado juntamente com o grito pra chamar atenção. 
O percurso era marcado pelo compasso do toque estridente do triangulo de ferro, característica desses profissionais. Tilingue, tilingue tingue, tilingue, tilingue tingue. 
Bastava ouvir esse toque que todos já sabiam quem vinha passando.

INSTITUTO BAHIANO DO FUMO

O Instituto Bahiano do Fumo foi criado pelo Decreto Estadual 9.409, de 16 de março de 1935. A Estação Experimental do IBF, em Cruz das Almas, começou a funcionar em 1950, sendo o seu primeiro diretor o Dr. Landivaldo Melo Mota. Em 1983, o IBF passou a ser o Instituto Bahiano de Fomento Agrícola. Depois, em 1989, passou a chamar-se Instituto Bahiano de Desenvolvimento Florestal e Recursos Naturais, em seguida Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e, atualmente, é o Serviço Territorial de Apoio à Agricultura Familiar do Recôncavo (SETAF-Recôncavo). O prédio antigo, mas muito bem conservado e de belíssima arquitetura localiza-se do lado da Mata de Cazuzinha, entrando pela Praça Multiuso.

LEMBRO COMO SE FOSSE HOJE.

Por Salomão Barbosa de Oliveira

Década de 80, baixinha da Vitória onde eu morava vizinho de “Piru” Lucio filho da saudosa Dona Nicinha. Foi com Piru que comecei a aprender a confeccionar “espadas” junto aos primos dele e meus quase irmãos Quinca (Roque neves) Lando (Carlos Arlan Neves) e meu fiel escudeiro Noca (João Noé Neves) e mais amigos como Mário.
A gente contava os dias para chegar o domingo que o saudoso Zezéu (0 mais velho dos Neves) ia chegar com o caminhão baú para irmos tirar bambu, era uma festa.
Entre viagem, investida no bambusal e retirada da matéria prima, sempre rolava um licorzinho feito por Dona Celina (matriarca dos Neves) e numa escapada é outra eu e Noca tomava um “golin” escondido. risos… Depois levava a bronca.
Cozinhar bambu
colocar no sol e ficar olhando por causa da chuva e a gente achava tudo aquilo divertido, fazer cerol e encerar barbante – que dureza – daí vinha a enrolar os bambus era o seguimento da diversão.
Quando era chegado o momento de labutar com pólvora a preocupação dos adultos era com os pivetes, eu (ioiozinho) e Noca.
Assim os dias iam passando e chegava Santo Antônio e algumas espadas já prontas para testes, uma adrenalina alucinante tomava conta de mim, uma mistura de medo e vontade de vê o espetáculo pirotécnico até o final.
Espadas testadas eu ficava observando a resenha. – Dá pra apertar mais!

– Só até 5.25 porque muito forte fica muito perigosa e corre o risco de soltar o barro quando bater em algum lugar. Essa era o palavra final que vinha sempre do mestre Piru.

Os dias eram mais gostosos no mês de junho , eu contava as horas para as aulas acabarem pra ir correndo pra casa trocar de roupa e fugir para o local do fabrico das “espadas”. Depois de batida, furada e escovada, vinha a parte que eu mais gostava que era colocar o “bocal” (a estética do artefato)
E entre euforia, trabalho e diversão São João se fazia presente.
De 22 pra 23 eu nem dormia de tanta adrenalina correndo pelo corpo todo.
Então era chegada a hora principal, depois da divisão eu era agraciado com a grande quantia de 5 ou 6 “espadas”. Satisfeitissimo eu empunhava aqueles fogos e me sentia a obra principal do São João, rodava toda cidade de forró em forró carregando aquele peso de pura satisfação. Mais no desfile daquele grupo no dia 23 de Junho véspera do dia Santo a noite em meio a muita fumaças chegava o momento de atravessar a Rua da Estação e visitar a Rua da Malva, eu, menino travesso tirado a homem tremia mais que vara verde mais ia adiande assim mesmo.
Ao voltar pra casa com uns licores na cabeça que eu tomava escondido, encontrava minha mãe a saudosa Dona Beneh virada no “setecento” mais também aliviada por me vê sem lesões.
No dia Santo entre bombas e espadas coriscos e foguetinhos eu exibia minhas cinco ou seis espadas ainda intactas. Então no meio dos amiguinhos da minha idade eu me exibia tocando uma em meio as turmas uniformizadas que passavam pela baixinha da Vitória – que eram muitas, ( ê ê ê tempo bom!)
E por fim eu tocava minhas preciosas recompensas por ajudar no fabrico de dezenas de dúzias de “espadas” e dessa maneira minha infância ficara marcada para sempre assim como minha paixão pela bricadeira mais excitante da qual participei na minha vida.
Obrigado Piru, Lando, Roque, Mário e Noca.

CIDADE DAS BICICLETAS

“A CIDADE DAS BICICLETAS”, assim Cruz das Almas ficou conhecida por um longo e bom tempo.

Mas eram muitas bicicletas mesmo… uma quantidade enorme que circulava pelas ruas e estradas, durante a semana, por volta das 5 e 6 horas da manhã, ao meio-dia e todo final de tarde era comum milhares (sem exagero!), milhares de pessoas pedalando bicicletas: eram as operárias dos armazéns de fumo, os homens e mulheres que trabalhavam na Agro, os estudantes do Ceat e de outras escolas públicas, os jovens que trabalhavam no comércio. Aliás, esse era o meio de transporte mais comum para todos: se precisasse ir à rua, ia-se de bicicleta.

Lembro-me até de uma matéria publicada no Jornal A Tarde que dizia de uma pesquisa apontando que, na época, havia a média de 2 bicicletas para cada residência de Cruz das Almas.

Famosas e aguardadas eram as corridas ciclísticas do aniversário da cidade e os passeios de bicicleta na primavera, promovidos anualmente por uma conhecida loja de departamentos que era a principal vendedora de bicicletas Monark e Caloi na cidade.
Lembro-me também que ao comprar uma bicicleta nova, a pessoa, de posse da nota fiscal, tinha de ir registrá-la na Delegacia (falava com o Tenente Romualdo), para que assim pudesse vir a recupera-la caso fosse roubada um dia; ou mesmo evitar de comprar uma usada que fosse, porventura, objeto de roubo. Bons tempos!!!

CRESCIMENTO POPULACIONAL

Levantamento histórico do crescimento populacional de Cruz das Almas, segundo o recenseamento demográfico do IBGE, através dos anos:

1900 – 13.219 hab.

1920 – 20.723 hab.

1940 – 28.255 hab.

1950 – 32.276 hab.

1960 – 20.234 hab.

1970 – 28.814 hab.

1980 – 37.352 hab.

1990 – 45.858 hab.

2000 – 53.049 hab.

2010 – 58.584 hab.

2019 – 63.239 hab. (estimativa)

(FONTE: http://www.reconcavonews.com)

RÉGUA E COMPASSO

Muitas vezes a necessidade faz as pessoas submeterem-se à condições muito aquém do mínimo necessário para o exercício do seu trabalho. Acordar e partir para o seu posto de trabalho com algum grau de satisfação é fundamental para o serviço se desenvolver a contento e render aquilo que se espera dele. O Régua e Compasso, acreditando que todos, mesmo fora das salas de aula, tem algo a ensinar, navega por águas do cotidiano e da vivência, colocando situações que só a “escola vida”, com todo seu didatismo, poderá ministrar.

Somente hoje, com a evolução do conhecimento, pôde-se ter a real dimensão do significado da qualidade de vida, nos mais diferentes setores ou atuações profissionais. Neste sentido, os debates em torno da saúde do trabalhador, doenças ocupacionais, qualidade de vida e satisfação no trabalho ganharam corpo diante das novas descobertas científicas e do rendimento esperado nos postos de trabalho.

Essas primeiras linhas são para chamar a atenção do leitor a respeito de fatos que nos ocorrem com certa frequência, ou que pelo menos tenha ocorrido no passado. O mais importante é aperceber-se disso. Em finais dos anos 1970, conheci Antônio S. Sousa (in memorian), apelidado de Lombada. Ele trabalhava como ajudante de serviços gerais em um cinema da Cruz das Almas daqueles tempos, mas o conheci como agente de portaria daquela empresa, pois passou a substituir o funcionário anterior, que havia se demitido. Assim, permaneceu por 18 anos, somados os dois serviços na Casa. Eu e mais alguns amigos adorávamos ver os filmes exibidos nas tardes de domingo, e até me acostumei com o Lombada, que estava sempre de prontidão na catraca da entrada, recolhendo os bilhetes e liberando a passagem para a sessão de logo mais. Com frequência, via a forma desrespeitosa com que era tratado pelos jovens que desejavam entrar naquele estabelecimento sem ter adquirido antes o seu ingresso, ou seja, assistir ao filme de graça. O tratamento hostil e as ameaças de agressão eram comuns, já que ele não cedia às pressões daquele público e porque ele trabalhava sozinho. A ousadia era tão grande que alguns se arriscavam a pular a pequena mureta que separava a parte interna e externa daquele local. Quando Lombada corria para tentar impedi-los, abandonando a catraca, um outro grupo saltava pela catraca. Trabalhar naquelas condições era realmente um inferno. A sala de exibição vivia lotada, mas vários não apresentavam o ingresso.

O proprietário do cinema preocupava-se com a baixa renda obtida, mas colocava a culpa sobre a portaria. Nos dias de hoje seria muito difícil que um trabalhador se submetesse a tamanho sofrimento no local de trabalho, e onde teria que, além de realizar seu serviço normal, exercer o papel de segurança. Lombada sempre foi um homem pacato, mas tinha que fazer “cara de mau” diante dos insultos que lhes eram dirigidos. Todavia, fazia o que era necessário para manter-se no serviço, já que ali estava a sua sobrevivência, era ali que ele ganhava o seu sustento, mesmo sem a necessária carteira assinada. A necessidade o fez permanecer ali por todo aquele tempo. Imagino o estado emocional desse homem, sabendo que no dia seguinte seria igual ou pior que aquele.

Até pouco tempo achava que já tinha falecido, mas contente fiquei em saber que ele estava bem vivo, criado sete filhos e de bem com a vida, aos 74 anos. Fui até sua casa no Bairro Sorriso, conversamos um pouco e vi que não guarda qualquer mágoa daquele passado. Contou que ao deixar o trabalho no cinema em 1980, passou a trabalhar na Prefeitura Municipal de Cruz das Almas, onde se aposentou. Assim, ele nos deixa um exemplo de superação na luta pela sobrevivência, mesmo naqueles tempos difíceis, nos quais sequer se pensava em saúde do trabalhador, segurança do trabalho e qualidade de vida. Infelizmente, Lombada nos deixou no dia 13 de janeiro do corrente ano, deixando um exemplo de perseverança para todos que desanimam diante de qualquer dificuldade na vida.

(Crônica da série RÉGUA E COMPASSO de Zé Moraes.)

ZINALDO VELAME

O cantor e compositor Zinaldo Silveira Velame nasceu em 13 de maio, em Cruz das Almas (Ba). Formou-se em Agronomia pela UFBA e é Mestre em Ciências Agrárias – Ciência do Solo pela UFRB. Seu primeiro contato com a música aconteceu no tempo em que estudava no Colégio Cruz das Almas, onde formou, com os amigos Haroldo, Vagno, Marcos, Kinor e Roberto o grupo musical Carefree e suas primeiras composições aconteceram durante os ensaios do grupo. Pouco depois Zinaldo começou a compor sozinho. Suas primeiras músicas foram: Folha Seca e Corpo Ardendo. Com Corpo Ardendo participou de vários festivais em Cruz das Almas e em outras cidades obtendo reconhecimento e ganhando prêmios. Em 2005, com o guitarrista Robertinho Lago gravou um CD de divulgação de seu trabalho, com o título, Algo Mais. Zinaldo já compôs mais de cem músicas. Entre os vários parceiros destacam-se: Kinor, Márcio Arruda, Junior, Nelson M. Filho, Graça Sena, Ian Ferreira, Luciano Fraga, Lita Passos, Luciano Passos, Marcelo Machado e Fernando Galotti. Outra paixão desse artista é a poesia.

Dentre suas apresentações inesquecíveis, destacamos a Expoflores e a noite em que Cruz das Almas conheceu o show da banda Coro de Cor na Casa da Cultura Galeno d’Avelírio, em 2009.

Em 2011, Zinaldo lançou o seu segundo CD, Tons, onde canta as palavras de amigos poetas.

Sua voz lembra o timbre de Raimundo Fagner, um dos seus ídolos. Muitos devem se lembrar da canção “Vôo Rasante” de Lui Muritiba, uma canção que fora interpretada por Zinaldo Velame, em suas apresentações ao vivo, de forma ímpar.

Ouvir Zinaldo cantar é ratificar que Cruz das Almas tem sim artistas que fazem música de qualidade!

(FONTE: Blog de Meyre Kal / maio de 2011)

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