Este é o ALMANAQUE CRUZALMENSE, idealizado, organizado e administrado por Edisandro Barbosa Bingre. Uma publicação virtual que reúne dados históricos, curiosidades e informações variadas sobre o Município de Cruz das Almas, Bahia. Sejam todas e todos bem-vindos!

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SOBRE A ESTRADA REAL

Sobre a discussão da Estrada Real ter sido ou não caminho para os tropeiros que passavam por Cruz das Almas nos seus primórdios, eis o que nos traz o pesquisador Ubaldo Marques Porto Filho, membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e do Instituto Genealógico da Bahia. A partir de 2012, Porto Filho passou a se dedicar intensamente às pesquisas sobre os Caminhos do Ouro na Bahia, durante o século XVIII, resultando na elaboração do seu livro ‘Estrada Real da Bahia’:

De 1731 a 1734, o sertanista Joaquim Quaresma Delgado, contratado pelo Governo da Colônia, percorreu os sertões da Bahia para mapear os caminhos por onde penetravam os povoadores e por onde circulavam os tropeiros, as mercadorias e as riquezas minerais. Naquela época, a Bahia era uma grande produtora de ouro, extraído das minas de aluvião, localizadas em três núcleos: Jacobina, Rio de Contas e Minas Novas.

Joaquim Quaresma catalogou quatro caminhos, assim identificados:

  • Caminho do Ouro Fino (de Jacobina a Salvador);
  • Estrada Real (de Jacobina a Rio de Contas);
  • Caminho de Itacambira (de Minas Novas do Araçuaí a Rio de Contas); e,
  • Caminho do Ouro da Boa Pinta (de Rio de Contas a Cachoeira/Porto de São Félix).

[Esses quatro caminhos fazem parte das antigas rotas da Estrada Real na Bahia]

Dos quatro caminhos coloniais, o mais movimentado foi o do Ouro da Boa Pinta, que terminava ou começava na margem direita do Rio Paraguaçu, no povoado de São Félix. Esta localidade se constituía na principal via de acesso aos sertões da Bahia, de Minas Gerais, de Goiás e do Mato Grosso.

Portanto, pelo Caminho do Ouro da Boa Pinta, subiam as famílias e os escravos dos povoadores, além das mercadorias e tudo de necessário às fazsendas e povoados que foram surgindo no sertão. E do sertão desciam as riquezas minerais até São Félix, o ponto terminal do longo percurso terrestre, onde eram embarcadas, pela via fluvial-marítima, para Salvador, a capital da colônia portuguesa.

(FONTE: SOUZA, Oséas Fernando Oliveira de. HISTÓRIA E MEMÓRIA DE SÃO FÉLIX – CIDADE PRESÉPIO. Cachoeira: Portuário Atelier Editorial, 2018)

 

ÍNDIOS: PRIMEIROS HABITANTES DESTAS TERRAS

Indios caririsSempre me perguntei o que teria acontecido com os índios que foram os primeiros habitantes desta região onde hoje está localizado o município de Cruz das Almas. Que destino tomaram ou (pior!) que fim foi dado a eles?

Num resumo histórico do Município de Sapeaçu, escrito pela professora Thaiz Menezes, encontro informação que “foram expulsos das terras que habitavam, sendo essas terras integradas a Sesmaria de Paraguassu e doadas pelo 2º Governador-Geral do Brasil, D.Duarte da Costa ao seu filho Alvaro da Costa em 17 de janeiro de 1557. Após a expulsão dos índios e a doação das terras, formou-se a Fazenda Sapé Grande que passou a pertencer a Pedro Barbosa Leal”.

Lamentavelmente, penso que não fora diferente em toda a região, inclusive por terras de Cruz das Almas!

A CÂMARA DE VEREADORES – HISTÓRIA

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VOCÊ SABIA?

  • As primeiras eleições municipais de Cruz das Almas foram realizadas em 1897, com a sua emancipação política e a sua elevação à condição de Vila. Foram eleitos o primeiro Intendente e também os primeiros 07 Conselheiros Municipais, que equivaliam aos atuais vereadores.

  • Com a implantação da República, sob o regime presidencialista, verificou-se a divisão de poderes; ou seja, de 1889 a 1934 o chefe do executivo municipal passou a ser chamado de Intendente e a câmara legislativa, de Conselho Municipal. A partir daí − da constituição federal de 1934 −, em substituição ao Intendente surgiu a figura do Prefeito e, em substituição ao Conselho, o que se chamou outra vez de Câmara Municipal.

  • Durante muito tempo, a Câmara de Vereadores funcionava no Paço Municipal, na Praça Senador Temístocles.

  • O atual prédio da Câmara de Vereadores foi construído pela prefeitura, com recursos próprios do Município, na gestão do prefeito Carmelito Barbosa Alves e inaugurado em 1º de outubro de 1988. Localiza-se na rua João Gustavo Silva, 129 – Centro.

  • Atualmente, a Câmara possui 15 cadeiras legislativas, sendo ocupadas por 12 homens e 03 mulheres.
  • A primeira mulher eleita vereadora em Cruz das Almas foi Armandina Gomes de Santana, em 1948.
  • A professora Ilza Francisca da Cruz é a primeira mulher negra cruzalmense eleita vereadora no Município (2016).

(Veja um vídeo institucional: https://www.facebook.com/TvNbn/videos/222556898604330/?hc_ref=ARQuRsVD0dSvwXXjtkavOa_VOPmbegD9nMvhUkxEyPyw1gO-elZIPFek6D1ew4Vua4k&__xts__[0]=68.ARDnj1kJMs_sbK2g63nsDcnfrMULYX_kIgWdMy7b1b2ianjn26NGkzNYhCHrFJMyiaqpL6iRF5mRvGt4sUM0MqL4rNojpdJ1AOAJ1KRakd6Z7jiOwgi4jQqoHR1p6eTPgQcvRYJH1gRMA0mCN1mVu3BsMLBvJoXipS12xQcR1mOa2nx-MEtJoA&__tn__=FC-R )

A FAZENDA CAMPO LIMPO

Fazenda Campo Limpo

Em 1865 , os Passos de origem portuguesa, vindos das terras de Loulé e Querença, chegaram ao Brasil, em terras do Recôncavo da Bahia, e se instalaram no município de Cruz das Almas. E, exatamente a 156 km da Capital Salvador-Ba, e 6 km do centro de Cruz das Almas, cidade fundada por esta família de poetas e políticos, construíram seu santuário – a Sede da Fazenda Campo Limpo -, lugar onde nasceram e cantaram os poetas Jacinta Passos, Manoel Caetano Filho, Renato Passos e Luciano Passos.

Viveram na Fazenda Campo Limpo:
Fazenda Campo Limpo2

  • Senador Temístocles da Rocha Passos e família
  • Manoel Caetano Oliveira Passos e família
  • Manoel Caetano Passos Filho e irmãos
  • Jacinta Passos e família
  • Alberto Passos e família
  • Ramiro Eloy Passos e família
  • Luciano Passos e família.

Quem administra a Fazenda Campo Limpo atualmente é a poetisa Lita Passos, mulher de Luciano Passos, e seus filhos Lucas e Bárbara Passos.

(FONTE: http://institutocampolimpo.blogspot.com/2012/01/historico-da-fazenda-campo-limpo.html em 25/01/2012)

A GUERRA DE ESPADAS

Crônica sobre a tradicional batalha de fogos que acontece em Cruz das Almas, todos os anos, a 24 de junho, quando aqui atingem o clímax os festejos juninos.

cruz_guerra-de-espadas

Bárbaro, semibárbaro, selvagem ou não, respeitados os sentimentos e as opiniões que despertam e originam, abstraídas certas naturais restrições e considerando do ângulo estético, temos de convir que é algo digno de ver-se, essa arrojada acrobacia faiscante e policrômica das “espadas”, nas olimpíadas disputadas nos dias dos festejos joaninos, e que serve de palco à nossa principal praça, a Municipal. E temos de reconhecer também, que já estão ganhando fama, fazendo “astros” e escola, a técnica, a perícia e a audácia dos aficionados do original esporte, que tem algo de espartano.

Espetáculo digno de ver-se, essa orgia louca de fogos, que cedo se inicia, intensificando-se gradualmente, para atingir o ponto máximo em intensidade e beleza quando jovens, adultos e quase crianças empenham-se nestes fogos florais, a esgrimirem em combates singulares ora em grupos, por vezes em “comandos” ou incursões solitárias, mas sempre a investirem, sem tergiversações nem temores, gládios flamejantes em punho, contra os alvos que lhe antepõem os outros preliantes, isolados ou não, sem atentarem nos perigos nem se cuidarem dos riscos ou danos físicos, relampejando fagulhas e chamas, quais iracundas potestades ou humanos arcanjos.

Dignas de ver-se, realmente, a calma, a precisão, a elegância com que investem e negaceiam, atacam, defendem-se e contra atacam, seguros e serenos, tripudiando sobre os répteis de fogo, dominando-os e devolvendo-os, com elegantes passes de toureador.

Se alguns, acrobatas e trapezistas aerodinâmicos, esmeram-se e estremam-se, librando-se em airosos remígios ou formando estranhas figuras geométricas, outros há que se exibem a saltitar, aos jatos, quais minúsculos dragões apocalípticos, em fúrias inúteis-salamandras vencidas, nos estertores agônicos.

E contemplareis, enfim, em meio às rajadas de fogo e cortinas de fumaça, os pequenos gavroches que formam espetáculo à parte, disputando os despojos da refrega que são os troféus dessa original e especializada olimpíada joanina.

Mario Pinto da Cunha, junho/1957.

(FONTE: Texto postado por Lita Passos in http://institutocampolimpo.blogspot.com/2012/02/ . Foto meramente ilustrativa)

UM MITO SOBRE A ORIGEM DO NOME DA CIDADE

FOTO DA CIDADE 5Sobre a versão romântica de que o nome Cruz das Almas deva-se ao “saudosismo de padres vindos da Cruz das Almas lusitana”, trata-se de um mito. Conforme registra-nos o escritor Mário Pinto da Cunha, o ocorrido foi que o Padre Gonzaga Cabral, um grande orador sacro que empolgava os auditórios pela década de vinte, num notável sermão aqui pronunciado em festa religiosa dia 17 de dezembro de 1924, invocou o nome de Cruz das Almas de Portugal, fazendo uma associação com a irmã e homônima Cruz das Almas da Bahia do Brasil, sendo que “aquela já realizada e estagnada na mediocridade provinciana, e esta aqui ainda adolescente, entre menina e moça, radiosa promessa tropical de maturidade e afirmação.”. Portanto, nada tem a ver com a origem da denominação ou sequer saudosismo, mas apenas uma alusão à outra homônima.

MANOEL CAETANO DA ROCHA PASSOS

Manoel CaetanoMANOEL CAETANO DA ROCHA PASSOS, nasceu em 23/10/1884  na Fazenda Campo Limpo em Cruz das Almas, Bahia. Filho de Temístocles da Rocha Passos e de Jacinta Veloso da Rocha Passos. Casado com Berila Eloi Passos.

Cursou o Primário com o Professor Mata Pereira. Estudou no Seminário por dois anos.
Funcionário público do Ministério da Fazenda, fiscal de imposto de consumo.
Eleito deputado estadual, 1910, porém não exerceu o mandato devido às divergências políticas no governo Severino Vieira. Eleito deputado estadual, 1927-1930, deposto pela Revolução de Getúlio Vargas. Reeleito deputado estadual Constituinte, 1934 pelo Partido Social Democrático – PSD, por força do Golpe de Estado por Getúlio Vargas, perdeu seu mandato em 1937. Eleito deputado estadual Constituinte pelo Partido da União Democrática Nacional – UDN, 1947-1951.
Na Assembléia Legislativa, foi vice-presidente da Comissão de Indústria e Comércio (1949); titular da Comissão de Indústria e Comércio (1947-1948, 1950).
Homenageado com seu nome em uma praça em Cruz das Almas e no Centro de Saúde de Mauá.
(FONTE: http://www.al.ba.gov.br/assembleia/legislatura-deputado/543)

CATADOR DE PAPELÃO É ELEITO VEREADOR EM CRUZ DAS ALMAS

O catador de papelão Josafá Eloy Ribeiro, de 49 anos, vai experimentar uma mudança radical em sua rotina a partir de janeiro de 2009. Ele foi um dos 15 vereadores eleitos [no pleito eleitoral de 2008] para a Câmara de Cruz das Almas, a cerca de 150 quilômetros de Salvador (BA).

Conhecido como Josafá Benção de Deus – nome usado na urna pelo candidato -, o catador foi eleito pelo PRP com 929 votos.  Ele anunciou que o primeiro projeto que apresentará na Câmara visa atender a um de seus principais desejos: instalar uma cooperativa de reciclagem na cidade.

Josafá disse que não gastou nada na campanha. Afirmou ter recebido os “santinhos” do partido e arrecadado entre amigos o dinheiro para o pagamento do jingle de campanha.

“O povo que pediu [minha candidatura]. A maioria dos comerciantes achou que a população gostava de mim. (…) A minha campanha foi de boca, não teve carro de som, essas coisas”, contou o catador, que estudou até a 7ª série do ensino fundamental.

Josafá Eloy Ribeiro nasceu em Cruz das Almas e afirmou que aos 17 anos saiu de sua cidade natal para trabalhar como cozinheiro em São Paulo, onde morou por nove anos. Acabou ficando desempregado e voltou. Virou catador de papelão para poder sustentar a família.

“Comecei a catar latinha e papelão. Com o tempo, as pessoas começaram a guardar as coisas para mim. Comecei a poder pagar as coisas e cato papelão até hoje”, narrou.

O catador disse que ficou conhecido na cidade por distribuir balinhas para os moradores que guardavam garrafas PET e latinhas para ele.

Evangélico, afirmou que usará os ternos que veste para ir à igreja na estréia como vereador na Câmara. “Eu tenho três ternos. Dá para chegar lá.” Ele disse que mesmo após começar a trabalhar na Câmara, não pretende deixar de recolher material reciclável pelas ruas da cidade.

(FONTE: http://g1.globo.com/Eleicoes2008/0,,MUL791184-15693,00-CATADOR+DE+PAPELAO+E+ELEITO+VEREADOR+EM+CIDADE+BAIANA.html )

DOUTOR LAURO PASSOS

Dr Lauro PassosDr. Lauro de Almeida Passos nasceu no município de Afonso Pena, que atualmente chama-se Conceição do Almeida (BA), no dia 24 de agosto de 1899. Filho do juiz Dr. Alfredo Veloso Rocha Passos e de D. Clementina de Almeida Passos, era neto do Senador Temístocles da Rocha Passos.

Estudou no Ginásio Ipiranga, em Salvador e formou-se pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1921. Nesse mesmo ano, tornou-se médico-auxiliar do Departamento Nacional de Saúde Pública da Bahia, função que exerceu até 1928. Foi também médico do Serviço de Profilaxia Rural e membro do conselho diretivo da Escola Agrícola da Bahia.

Fazendeiro, produtor de fumo e laranja, criador de gado bovino das raças Holandês PO e Indubrasil, de cavalos Mangalarga e de suínos Landrace, Duroc e Large Whiite.

Eleito no pleito de maio de 1933 deputado à Assembléia Nacional Constituinte pela Bahia na legenda do Partido Social Democrático (PSD). Assumindo o mandato em novembro do mesmo ano, participou da elaboração da nova Carta e, com a promulgação da Constituição em 16 de julho de 1934, teve seu mandato prorrogado até maio de 1935. Reeleito na mesma legenda no pleito de outubro de 1934, no ano seguinte integrou a delegação brasileira à Conferência Comercial Pan-Americana, reunida em Buenos Aires. Permaneceu na Câmara até 10 de novembro de 1937, quando o advento do Estado Novo suprimiu todos os órgãos legislativos do país.

Em 1938, tornou-se presidente da Caixa Econômica da Bahia, função que exerceu até 1941.

Com o fim do Estado Novo em outubro de 1945 e a conseqüente redemocratização do país, elegeu-se em dezembro de 1945 suplente de deputado à Assembléia Nacional Constituinte pela Bahia na legenda da União Democrática Nacional (UDN), não chegando a assumir o mandato.

Foi prefeito de Cruz das Almas, de 1967 a 1971. Grande benemérito, teve participação ativa na vinda para Cruz das Almas da Escola de Agronomia, do Instituto Agronômico do Leste, Sede do DNER, Centro Social Urbano, Prédio da Receita Estadual, Banco do Brasil, Fábrica Suerdieck, Conjunto Residencial Min. Aliomar Baleeiro (Bairro Coplan) e doou  o terreno para construção da sede do Grupo Escoteiro Gal. Edgar da Cruz Cordeiro, além de outras entidades.

Foi presidente do Instituto Baiano do Fumo e membro da Sociedade Botânica do Brasil.

Era casado com Lélia Pereira Passos, com quem teve dois filhos, Hélio e Solange.

Faleceu em abril de 1982.

(FONTES: Boletim Min. Trab. (5/36); CÂM. DEP. Deputados; Câm. Dep. seus componentes; COUTINHO, A. Brasil; Diário do Congresso Nacional; GODINHO, V. Constituintes; Jornal do Brasil (14/4/82); TRIB. SUP. ELEIT. Dados (1).)