A JORNALISTA JACINTA PASSOS

Jacinta Passos, jornalista e poeta, Salvador (1943)

Você sabia que a escritora cruzalmense Jacinta Passos tornou-se uma das mais ativas jornalistas da Bahia na década de 40? Escrevendo sobre os assuntos que mais a interessavam, pelos quais lutava: política, transformações sociais e posição da mulher na sociedade, colaborou também com jornais e revistas do Rio de Janeiro e de São Paulo. Militante do Partido Comunista Brasileiro de 1945 até a morte, em 1973, dedicou grande parte da vida ao trabalho penoso, clandestino e cotidiano de luta por um Brasil menos injusto.

(FONTE: http://www.elfikurten.com.br/2015/07/jacinta-passos.html )

JORNAL DO PLANALTO, JUNHO DE 1972

Notícias: Câmara Municipal de Cruz das Almas aprova programa para festa dos 75 anos de emancipação política/ I encontro de Vereadores em Cruz das Almas/ O Brasil e o mundo/ I Semana de Educação/ Lauro Passos divulga Manifesto/ Suerdieck recebe a visitas ilustres/ Barracas na feira/ Coluna do Edipismo/ Contos/ Linhas Intermunicipais/ Br – 101 para turismo/ Renda Intermunicipal/ Clube & Associados/ Crônicas/ Curiosidades/ JP Esporte/ Notas diversas.

Propaganda Comercial: Panificadora Moderna, Irmãos LTDA, Jornal do Planalto Diretor Redator – Fernando Floriano Rocha, Armarinho Edelweiss de Leopoldo José Bispo, Casa Aurora, Serraria São João de J. E. de Oliveira, Plavema Planalto Veículos e Maquina LTDA, Lavanderia Rodrigues, Auto Elétrico O Benedito de Benedito Jesus de Santana, Pedrinho Automóvel, Armazém Sampaio de José Augusto Sampaio, Cruz das Almas Motor, Depósito Glória, Gráfica Jornal do Planalto LTDA, Livraria ABC, Casa Damasceno de A. J. Damaceno, Posto Palmeira de J. Filho e Cia. LTDA, H Miscelânea de Hildete Cerqueira de Almeida.

(FONTE: http://arquivomunicipaldesaofelix.blogspot.com/2012/05/inventario-do-acervo-historico-est-37_24.html )

REGISTRO DA ATIVIDADE TROPEIRA NO RECÔNCAVO DA BAHIA*.

No final do séc. XIX, quando os animais de montaria ainda eram os principais meios de locomoção pelos caminhos sertanejos , a manutenção de tropas muares configurou-se como uma importante atividade econômica […].

Entre partidas e retornos, observam-se anotações de despesas com “rancho 16 dias 8$000” em São Felix, o que faz presumir o quanto essas viagens eram longas e dispendiosas, sujeitas a acontecimentos e compromissos diversos. Os dias de hospedagem no Recôncavo eram indispensáveis para se obter as encomendas necessárias, executar os negócios sem maiores prejuízos e comprar os produtos encomendados, como os do “Sr. Hilarião do Riacho de Stª Anna 3$ pª comprar uma folhinha do Rio e o restante em charutos bons” . Também se observam os gastos com “com lavagem de roupa 3$500” , em São Felix, atividade certamente realizada pelas lavadeiras às margens do Rio Paraguaçu como alternativa de ganho propiciada pelo dinamismo da cidade. Essa pequena anotação traduz a amplitude das relações sociais e dos negócios existentes a partir das tropas sertanejas. Além dos gastos com as lavadeiras, registra-se o “Dinhº a 1 tocador 2$320” , evidência que ratifica os momentos de sociabilidades mantidos ao longo do caminho. Assim, por mais laborioso que fosse o percurso da tropa, haviam também os momentos de festividade e descontração propiciados/mantidos pelos tropeiros sertanejos.

Nas anotações do Sr. João Gonçalves Fraga, da castroalvense Família Faria Fraga, proprietária de uma grande tropa, evidencia-se o quão dinâmica foi essa atividade econômica, “40 mulas carregadas”, para “vender o carregamento e carregar novamente”.

Tomando como base as informações desse autor, é possível presumir que as tropas dos Faria Fraga transitavam com um carregamento de aproximadamente 240 arrobas, ou seja, 3.600kg. Nas idas e vindas objetiva-se “ganhar frete”, o que implica sobre os lucros auferidos pela família. Os diários pessoais, associados às cadernetas de anotações de credores e devedores dessa família possibilitaram a compreensão dos arranjos comerciais e das redes de sociabilidade tecidas entre os sertões e o Recôncavo baiano. Nesse sentido, vale ressaltar que:

A vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto de Cachoeira, último ponto navegável do Rio Paraguaçu, vai ser o maior entreposto do interior. Era ponto importante, pois ligava a produção do interior que não tinha rios navegáveis a capital pelo vapor que ia do Recôncavo a Cachoeira até chegar na baia de Todos os Santos. (PAES, 2001, p. 42)

Chegando em São Felix/ Cachoeira, “maior entreposto do interior”, a produção sertaneja seguia para Salvador, cidade portuária responsável pelo escoamento dessa produção no contexto do século XIX. Produtos diversos saíam do alto sertão baiano no lombo dos animais em direção a Capital da Província, passando pelo Recôncavo.

Graças às tropas foi possível a existência e a sobrevivência das cidades e vilas do Alto Sertão, oxigenando através dos caminhos e estradas, as relações socioeconômicas do interior. Acampamentos, simples pousadas, grupos vicinais, lugarejos, esquecidos, vilas e províncias foram pouco a pouco, se integrando e se desenvolvendo através dos circuitos comerciais de exportação e de circulação interna, tropas de burros permitiram que o fumo das terras altas do “Sertão de Baixo” chegasse até a capital.

Sendo, portanto, também “homens de negócios”, os tropeiros compravam, vendiam, encomendavam e transportavam os mais diversos produtos, abastecendo as casas comerciais das vilas sertaneja e movimentando o circuito socioeconômico baiano.

*Importante salientar que, à época, o Recôncavo baiano era chamado de Sertão de Baixo.

(Fontes: Acervo Particular da Família Faria Fraga: Caderneta de João Gonçalves Fraga (1883 – 1889) Diário de João Gonçalves Fraga (1888 – 1933)

http://www.encontro2016.bahia.anpuh.org/resources/anais/49/1477655967_ARQUIVO_Artigotropeiros.pdf

https://ppgh.ufba.br/sites/ppgh.ufba.br/files/2001._paes_jurema_mascarenhas._tropas_e_tropeiros_na_primeira_metade_do_seculo_xix_no_alto_sertao_baiano.pdf )

CLODOALDO GOMES DA COSTA, O PATRONO DA EDUCAÇÃO CRUZALMENSE.

O Prof. Dr. Clodoaldo Gomes da Costa foi, em 1948, o fundador do Colégio Alberto Torres (CAT) e seu diretor por muitos anos. Foi responsável pela alta estima atribuída ao colégio que foi concebido para ser uma escola de excelência e que formaria os futuros ingressantes da Escola de Agronomia da UFBA.

Homem das letras, escritor, colunista do semanário municipal “Nossa Terra” e idealista da educação, era um dos homens mais respeitados da cidade segundo os escritos corográficose depoimentos. “Daí o seu grande e esplendente mérito entre nós e o alto e merecido conceito que desfruta em Cruz das Almas esse destacado apóstolo da elevação cultural de nossa gente, que é o Dr. Clodoaldo Gomes da Costa, seu ilustrado e dinâmico diretor. Espírito irrequieto nas lides educacionais. Como todo maragogipano, bem entrado nas letras […]” Assim se referia ao diretor o Jornal Nossa Terra de 12 de dezembro de 1954 que noticiava a formatura da primeira turma de professoras no “Instituto Educacional Alberto Torres”, ainda num tempo de uma educação de acesso não democratizado e que o CAT era a única escola da cidade a oferecer o ginásio; ainda não era pública, impossibilitando a entrada de muitos, mas estudar no CAT aos poucos tornou-se o sonho dos jovens cruzalmenses.

Por tudo isto, no dia 05 de junho de 1969, em sessão solene da Câmara Municipal de Cruz das Almas, o Prof. Dr. Clodoaldo Gomes da Gosta foi então homenageado com o honroso Título de “Patrono da Educação e Cultura Cruzalmense”.

(FONTES: https://docplayer.com.br/8885856-Civismo-otimismo-e-zelo-a-patria-o-cotidiano-escolar-nos-anos-de-chumbo.html ; ACTAS E ATOS, Manoelito Roque Sá. e foto gentilmente cedida por Hermes Peixoto Santos Filho.)

ASSIM ERA A CRUZ DAS ALMAS DOS ANOS 50/60

Cidade assentada sôbre planície com praças, ruas e avenidas arborizadas e bem ornadas. Está em fase de acentuado desenvolvimento o interêsse local por construções modernas. Deve-se essa modernização à influência progressista da abertura e funcionamento, na cidade, dos estabelecimentos de ensino superior e médio e, também, à orientação ou à influência técnica do pessoal de nível universitário ali fixado e em atividade docente ou profissional. A cidade possui 51 logradouros, sendo 16 pavimentados, 18 com arborização e 30 servidos de luz elétrica. Há 2 134 prédios, dos quais 1 250 com iluminação elétrica. Em 1956, inaugurou-se o serviço de esgôto, abrangendo 8 logradouros. A rêde telefônica apresenta 50 aparelhos em funcionamento, havendo dois cinemas: “Popular” e “Glória”, com capacidade total de 682 lugares.

Quanto aos meios de hospedagem, é digno de referência o Hotel do Leste (privativo do Instituto Agronômico de Leste), pelas suas excelentes instalações, condições de comodidade e aprazível localização, sito no subúrbio da cidade. Contam-se ainda quatro pensões.

É digna de registro a evolução atingida pelos hábitos e costumes da população. No trabalho, o proletariado é sindicalizado; nas edificações, está havendo modernização. Sente-se o interêsse e o entusiasmo da população pelo progresso da cidade. Nota-se a influência dos técnicos e professôres universitários na implantação de métodos modernos de trabelho, de estudo e de organização da vida urbana e doméstica. O intercâmbio e contacto mantidos pelos técnicos e mestres de nível universitário com a população urbana e com o homem do campo, as excursões à zona rural, os estudos e a convivência no âmbito da sociedade cruzalmense, educam, estimulam e melhoram a mentalidade da classe média imprimindo-lhes tendência para transformação cultural, que se manifesta no bangalô modernizado, na eletrificação do lar, em novos métodos culinários, no desenvolvimento e no aperfeiçoamento intelectual, no aprimoramento dos costumes sociais, na disciplina do trabalho e nas recreações.


(Compilação da Inspetoria Regional de Estatística, por José Pereira Tôrres Filho. – Chefe da Agência Municipal de Estatística: Adalberto Damasceno Passos. in Enciclopédia dos municípios brasileiros –
1957-1964 / IBGE – Rio de Janeiro)

O CAMINHO DOS TROPEIROS: PICADA DA BAHIA

Até a terceira década do século XVIII, já haviam três importantes picadas de tropeiros que saíam dos centros desenvolvidos do litoral – Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo – adentravam o ermo sertão brasileiro para alcançar as longínquas regiões auríferas do Brasil Central: o Caminho dos Paulista, a Picada de Goiás e a Picada da Bahia.

A Picada da Bahia ligava o sertão do Planalto Central com a região Nordeste. Começava na Vila de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, passava por Cruz das Almas, Castro Alves, e Iramaia até chegar as Minas do Rio de Contas, o mais importante Arraial do interior baiano, naquela época. Dali, a estrada seguia até as margens do Rio São Francisco, chegando a Carinhanha e ao Registro de Malhada, onde cobrava-se o imposto Direitos de Entradas, sobre o gado e escravo que eram levados para trabalhar na mineração em Goiás e Mato Grosso.

(FONTE:
http://cerratense.com.br/roteiroestradageralapresenta%C3%A7%C3%A3o.html )

UM MITO SOBRE A ORIGEM DO NOME DA CIDADE

FOTO DA CIDADE 5Sobre a versão romântica de que o nome Cruz das Almas deva-se ao “saudosismo de padres vindos da Cruz das Almas lusitana”, trata-se de um mito. Conforme registra-nos o escritor Mário Pinto da Cunha, o ocorrido foi que o Padre Gonzaga Cabral, um grande orador sacro que empolgava os auditórios pela década de vinte, num notável sermão aqui pronunciado em festa religiosa dia 17 de dezembro de 1924, invocou o nome de Cruz das Almas de Portugal, fazendo uma associação com a irmã e homônima Cruz das Almas da Bahia do Brasil, sendo que “aquela já realizada e estagnada na mediocridade provinciana, e esta aqui ainda adolescente, entre menina e moça, radiosa promessa tropical de maturidade e afirmação.”. Portanto, nada tem a ver com a origem da denominação ou sequer saudosismo, mas apenas uma alusão à outra homônima.

MARIA JOAQUINA

20180402_081539-1A luta de Maria Joaquina  da Conceição, nascida na cidade de Cruz das Almas e mãe  de nove filhos, começou na antiga fábrica de charutos Suerdieck, local onde trabalhou até se aposentar. Fato que não a retirou da luta, pois em 1986, quando a fábrica Suerdieck estava para fechar, as operárias recorreram a ela (que tinha uma grande influência no meio político) para mediar e ver o que seria possível ser feito para impedir o fechamento da fábrica.

Diante das grandes injustiças e situação precária das companheiras que não conseguiam emprego nas empresas enfardadoras (armazéns de fumo), Maria Joaquina decidiu fundar uma associação chamada Clube das Mães em parceria com amigas e amigos operária(o)s que estavam na ativa. Nasce aí o primeiro movimento social de mulheres na cidade de Cruz das Almas.  A implantação da associação trouxe benefícios para várias mulheres que juntas conseguiram máquinas para os cursos de corte e costura e datilografia. Essas aulas aconteciam na Filarmônica Euterpe Cruzalmense.

Maria Joaquina foi uma mulher à frente do seu tempo e simboliza o empoderamento feminino. Por esse motivo, a homenagem com o seu nome ao Centro de Referência da Mulher na cidade de Cruz das Almas

FONTE: CENTRO DE REFERÊNCIA E ATENDIMENTO A MULHER MARIA JOAQUINA / SECRETARIA MUNICIPAL DE POLÍTICA ESPECIAIS/ PREFEITURA DE CRUZ DAS ALMAS

HISTÓRIA DA ESCOLA DE AGRONOMIA EM CRUZ DAS ALMAS

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No dia 1 de novembro de 1859, Dom Pedro I criou o Imperial Instituto Bahiano de Agricultura (IIBA) no município de São Francisco do Conde. Posteriormente, em 15 de fevereiro de 1877, foi instituída a Imperial Escola Agrícola da Bahia (IEAB) vinculada ao IIBA, sendo essa a antecessora da sede da UFRB. No ano de 1905, a IEAB transforma-se no Instituto Agrícola da Bahia, sendo então administrada pelo Governo do Estado da Bahia, instituindo a Escola Média Teórica e Prática de Agricultura em 1911 e voltando a oferecer curso superior em 1920. Em 1931, a Escola Agrícola da Bahia é transferida para Salvador e em 1943 é transferida novamente para Cruz das Almas denominada como Escola Agronômica da Bahia, passando a fazer parte da UFBA em 1968 com o nome de Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia (AGRUFBA).

Atualmente, a UFRB tem sua administração central em Cruz das Almas, no local que antes era a Escola de Agronomia da UFBA.

(FONTE: https://pt.wikipedia.org/wiki/Universidade_Federal_do_Rec%C3%B4ncavo_da_Bahia )

EMBRAPA MANDIOCA E FRUTICULTURA

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A Embrapa Mandioca e Fruticultura surgiu a partir do Instituto Agronômico do Leste (IAL), construído na década de 1950, posteriormente denominado Instituto de Pesquisa e Experimentação Agropecuária do Leste (Ipeal), vinculado ao Ministério da Agricultura, cuja missão era desenvolver tecnologias para a agricultura regional. Destacava-se, na época, o trabalho com a citricultura.

A Unidade foi instituída oficialmente em 13 de junho de 1975 com o objetivo de executar e coordenar pesquisas para o aumento de produção e produtividade, a melhoria da qualidade dos produtos, a redução dos custos de produção e a viabilização do aproveitamento de áreas subutilizadas para mandioca e fruteiras tropicais. Passou, assim, a ter uma missão focada em culturas (atualmente mandioca, citros, abacaxi, banana, mamão e maracujá) e com abrangência nacional.

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O projeto de implantação da Unidade, no qual constam o programa de pesquisa e as prioridades regionais, foi elaborado com ampla participação de especialistas de diferentes estados e instituições do País, sendo aprovado pela Diretoria Executiva da Embrapa em 19 de fevereiro de 1976, quando se iniciaram, efetivamente, os trabalhos da Unidade.

(FONTE: https://www.embrapa.br/mandioca-e-fruticultura/historia )