ILUSTRES VEREADORES QUE TÊM OS SEUS NOMES DENOMINANDO RUAS

Desidério Brandão – 1930/1934

Dr. Edmundo Pereira Leite – 1948/1950; 1951/1954; 1959/1962; 1963/1966

João Gustavo da Silva – 1959/1962

Silvestre Mendes – membro do Conselho Municipal em 1930

Leopoldo Cezarano – membro do Conselho Municipal em 1897/1899/1903/1907

José Lino de Queiroz – membro do Conselho Municipal em 1899/1903 e intendente em 1907

ANDRÉ PEIXOTO, O SENHOR DOS CORDÉIS.

André Antônio Peixoto nasceu na localidade de Araçá, zona rural de Cruz das Almas, no dia 30 de novembro de 1908. Filho de Clementina Romualda de Souza e de Romão Antônio Peixoto. Morou na roça até os quinze anos de idade, trabalhando como agricultor. Depois, em 1923, foi trabalhar em Salvador, retornando para Cruz das Almas em 1927. Em 1939 começou a trabalhar na Escola de Agronomia; primeiro na firma de construção, depois como funcionário da EAB, na função de pintor, até aposentar-se em 1983.

Já aposentado, tinha ali próximo ao Mercado Municipal uma barraquinha onde vendia um sabão medicinal que ele próprio fabricava e livros de cordel de vários autores, além dos de sua própria autoria.

O cordelista André Peixoto faleceu em maio de 1994.

(FONTE: O Livro do Centenário, de Alino Matta Santana. )

(IMAGEM: Jornal O Nacionalista, de 5 de abril de 1959 – acervo de Hermes Peixoto Santos Filho)

GERALDO SUERDIECK

Geraldo Suerdieck: Empresário, conhecido na Europa como o ‘Rei do Charuto Brasileiro’

Durante 27 anos, de 1948 a 1975, o empresário baiano Geraldo Meyer Suerdieck esteve no comando da Suerdieck S.A. Charutos e Cigarrilhos, cabeça de um grupo que chegou a ter 16 empresas. Todas estavam ligadas ao cultivo e comercialização de fumos para charutos e à produção e distribuição de charutos nos mercados interno e externo. Três ficavam na Alemanha (Hamburgo, Freiburg e Emmendingen) e uma em Zurique, na Suiça.

Sob a liderança de Geraldo, a Suerdieck transformou-se num império charuteiro que chegou a ter 4.128 empregados (2.918 mulheres), além dos trabalhadores temporários (em torno de 3 mil pessoas), utilizados nas três fábricas de charutos no Recôncavo (Maragogipe, Cruz das Almas e Cachoeira)  e nos armazéns de fumos localizados em 13 dos 21 municípios baianos produtores de tabacos nobres.

A Suerdieck foi a maior fabricante da história dos charutos brasileiros e a maior produtora mundial de charutos totalmente artesanais. Em 1956, ao produzir e vender 180 milhões de charutos, estabeleceu um recorde mundial para um único fabricante. Um outro recorde foi o de marcas de charutos: no período de 70 anos (1905-1975) teve 464 marcas comercializadas. Para atender os variados gostos dos clientes, espalhados pelo território nacional e em dezenas de países, chegou a fabricar simultaneamente 300 marcas.

Nas décadas de 1950 e 1960, o presidente da Suerdieck constituiu-se no empresário baiano que mais viajava ao exterior, sempre para fechar negócios que representavam ingresso de divisas na economia nacional. Poliglota, dispensava intérpretes e negociava diretamente os contratos. Na comunidade européia, além de executivo renomado, era considerado como um dos grandes especialistas do mundo em fumos e charutos. Os importadores chamavam-no de “o rei do charuto brasileiro”.

Na época em que a economia fumageira era poderosa na Bahia, o líder do Grupo Suerdieck foi presidente do Sindicato da Indústria de Fumo do Estado da Bahia, presidente da Câmara de Fumos da Bolsa de Mercadorias da Bahia, diretor da Associação Comercial da Bahia e fez parte do primeiro conselho fiscal da Federação das Indústrias do Estado da Bahia, fundada em 1948.

Responsável pela consolidação do prestígio da Suerdieck nos quatro cantos do mundo, Geraldo também muito contribuiu para propagar os nomes da Bahia e do Brasil no exterior. Em 1958, escolhido por uma comissão criada pelo Governo Federal, para analisar e aprovar destaques na vida sócioeconômica do país, foi laureado pelo Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, que lhe conferiu uma Medalha de Ouro e um Diploma de Honra ao Mérito no Trabalho e na Produção. Foi o primeiro industrial do Norte/Nordeste a receber essas honrarias.

Em sua homenagem, na cidade de Cruz das Almas existe a Praça Geraldo Meyer Suerdieck. Em Salvador, no bairro da Boca do Rio, encontram-se a Rua Geraldo Suerdieck e a Travessa Geraldo Suerdieck.

Filho de pai alemão e mãe brasileira, Geraldo Suerdieck nasceu em Maragogipe, a 23 de novembro de 1918.  Passou o início da infância praticamente dentro da fábrica de charutos fundada pelo tio, August Wilhelm Suerdieck. Quando atingiu a idade escolar foi enviado pelo pai, Gerhard Meyer Suerdieck, para ser educado na Alemanha, em Stadthagen, cidade da família paterna. Depois, como preparação da formação profissional, trabalhou em Hamburgo, de 1937 a 1939, no Donnerbank, grande organização bancária alemã, que também atuava com importações e exportações. O banco treinava filhos dos clientes alemães que eram grandes empresários no exterior.

Muito tempo depois de ter deixado a Suerdieck, o baiano que foi o brasileiro de maior destaque no mercado mundial produtor de charutos, teve o dissabor de acompanhar a evolução da crise que decretou o fim das atividades da empresa que chegou a ser a maior empregadora de mão-de-obra e a maior pagadora de impostos na Bahia.

Encerrando um ciclo de 94 anos na produção de charutos famosos, a última fábrica da Suerdieck, em Cruz das Almas, foi fechada no dia 1º de dezembro de 1999. Dez anos depois, em 16 de dezembro de 2009, Geraldo Meyer Suerdieck faleceu em Salvador, de forma tranquila e serena, dormindo em seu apartamento, aos 91 anos, sendo sepultado no mausoléu da família, no Cemitério do Campo Santo.

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Texto condensado do livro ‘Suerdieck, Epopeia do Gigante’, de Ubaldo Marques Porto Filho.

AUGUST SUERDIECK

Quando se falar das fábricas de charutos do município de Cruz das Almas, não se pode esquecer a empresa Suerdieck que foi a maior representante da Bahia no mercado de charutos. A manufatura de charutos Suerdieck é importante na história de Cruz das Almas. Seu principal representante foi August Suerdieck, que veio para a Bahia, empregado da firma alemã e fiscalizava o enfardamento do fumo exportado da Bahia por esta empresa. Resolveu vir para Salvador. Da capital baiana August Suerdieck seguiu por via férrea, num percurso de 159km, até uma pequena estação distante 6km de um povoado à beira duma estrada de tropeiros, onde chegou em lombo de burro. Chamava-se Oiteiro Redondo, que não passava de um rude arraial em formação. Os deslocamentos pelo interior da zona fumageira eram penosos. Nos períodos das chuvas intensas, entre março e agosto, o lamaçal e os atoleiros, nas estradas carroçáveis, impediam a livre circulação das tropas de burros que faziam o transporte na região. Se fazia sol, o calor escaldante maltratava o gringo desacostumado ao clima tropical. Mas, August Suerdieck soube superar as adversidades climáticas e o desconforto de um núcleo florescente. Adaptou-se de tal forma que resolveu ficar. Em 1892, aos 32 anos, criou a empresa AUG.SUERDIECK, iniciando no ano seguinte as atividades como compradora, enfardadora e exportadora de fumos. Um ano depois, em 1894, August comprou dois imóveis, uma casa residencial e o seu primeiro armazém, da própria organização onde havia trabalhado, a firma F. H. Otens. Em 1897 assistiu Oiteiro Redondo ser desmembrado de São Félix e receber o nome de Villa de Cruz das Almas.

August Suerdieck faleceu em 1930, na Alemanha, assumindo a direção da firma a sua viúva, D. Hermine Suerdieck que também faleceu no ano seguinte.

Os herdeiros, Gerhard Meyer Suerdieck e Geraldo Suerdieck, filho e neto do alemão August Suerdieck fizeram dessa empresa uma referência de gestão e empreendedorismo, colocando a Bahia na vanguarda da exportação de charutos no mundo, sendo o requinte e a qualidade sua “marca registrada”, deixando um legado que jamais será esquecido pela história.

FONTE: Suerdieck, epopéia do gigante. Ubaldo Marques Porto
Filho. – Salvador, 2003.

ÁLVARO REBOUÇAS CHIACCHIO

Álvaro Rebouças  Chiacchio, conhecido como seo Vadengue. Pessoa simples, pequeno comerciante de loja de tecidos e divulgador de notícias e cultura, pois distribuía o jornal A TARDE e outros jornais; revistas em quadrinhos e informativas tipo O CRUZEIRO, MANCHETE, REALIDADE, coleções tipo CONHECER, GEOGRÁFICA, dentre outras. Sem falar nos sorvetes e picolés da KIBOM. 
Por conta disso, teve muitos contatos com a comunidade cruzalmense: agricultores e fazendeiros, operários da SUERDIECK (armazém de fumo), estudantes de toda graduação, professores de todos os níveis, prefeitos e vereadores e muito mais. O vereador Chico da Carbasa propôs e foi aprovada a homenagem dando o seu nome ao logradouro público Rua Álvaro Rebouças Chiacchio.

(FONTE : Edson Chiacchio Chiacchio in https://www.facebook.com/groups/454314041343397/ )

PARTEIRAS E PARTEIROS

Antigamente as pessoas nasciam em casa, pelas mãos de parteiras e parteiros. Em Cruz das Almas, alguns são lembrados até hoje…

  • Maria Porfiria, da fazenda Rebouças, atual bairro São Judas Tadeu
  • Maria José, conhecida como D.Nena
  • Eustáquio Nascimento, conhecido como Seo Tatá da Rua do Genipapo (atual Rua J.B da Fonseca)
  • Clotilde, conhecida como D. Coló
  • Mãe Ana, do Tuá

MESTRES ESPADEIROS

Alguns mestres espadeiros de Cruz das Almas. Ou seja, não simplesmente tocadores de espada, mas eram ou são referência na ciência do fabrico de uma boa espada e na arte de saber tocá-la:

  • Antonio da Paz, pai do vereador Osvaldo da Paz
  • Benedito Vermelho
  • Manhoso
  • Vaúca
  • Gilmar Mascarenhas Souza
  • Zeca Sampaio
  • Agenor Sampaio 
  • Leonidio Sacramento 
  • Abel Gustavo da Silva
  • Totonho Fogueteiro
  • Seo Mundinho da Coplan (além de fabricar, destacava-se na forma elegante com que tocava a espada)
  • Pedro de Seo Né
  • Flávio de Dé, da Sapucaia
  • Vicente de Paula Sampaio (Nego) 
  • Cao de Bob
  • Bila, da praça do Landulfo Alves
  • Cid, motorista da Cofel
  • Massa e Maxixe, irmãos de Vaúca.
  • Santo do Itapicuru
  • Conrado
  • Luciano Queiroz (Lucinho Perú).
  • Paulo de Coscotinho
  • Agenor da Embira
  • Seo Neco, da Rua da Vitória
  • Antônio Mariane, Lico filho de Zé do Alho
  • Sérgio Lopes

J.B. DA FONSECA

O Coronel José Baptista da Fonseca, conhecido por Cazuzinha, nasceu na cidade de São Félix em 1866. Próspero fazendeiro e comerciante de fumo ( à época, chamava-se “enfardador de fumo”), foi um dos pioneiros no desenvolvimento do comercio e agricultura do nosso município. Pessoa de visão ambientalista, preservou em sua Fazenda Itapicuru uma área de Mata Atlântica que ao longo dos anos era conhecida como a Mata de Cazuzinha. No final da década de 1960 , a área foi tombada pelo governo municipal, conservando o seu nome popular. Somente em 2012 veio a tornar-se Parque Florestal, na gestão do Prefeito Orlando Peixoto Pereira Filho.

Foi vereador em São Félix, Conselheiro Municipal da Villa da Cruz das Almas em 1897 e Prefeito Interino de Cruz das Almas nomeado em 1937.

Pelos seus feitos e grande colaboração ao município de Cruz das Almas, em sua homenagem foram denominados com o seu nome a rua onde ficava a sua residência, no centro da cidade e um colégio.

J.B da Fonsêca faleceu em 1957 .

(FONTES: ACTAS E ATOS, Prof. Manoelito Roque Sá; Prof. Alino Matta Santana in FACEBOOK/CRUZ DAS ALMAS FOTOS ANTIGAS; Ana Lúcia Reis Fonseca – neta, que gentilmente cedeu-nos a fotografia)