O CASO DA INAUGURAÇÃO DA RÉPLICA DA TORRE DE PETRÓLEO

Cyro Mascarenhas relata-nos um acontecimento ocorrido provavelmente entre o final da década de 50 e início da de 60, quando a Frente Nacionalista de Cruz das Almas resolveu construir um monumento em homenagem à Petrobrás para ser instalado numa praça da cidade de Cruz das Almas. Era a réplica de uma torre de petróleo construída em madeira de lei.

“um fato curioso que merece destaque, é a história da inauguração da torre de petróleo, erguida sob os auspícios da Frente Nacionalista, com a colaboração da prefeitura municipal. O local escolhido para esse monumento em homenagem à luta pelo petróleo foi a Praça dos Artistas, sabe onde é? Ali na confluência da antiga rua da Estação com a rua Mata Pereira, uma praça de formato triangular. Bem em frente ficava a Sociedade Beneficente dos Artistas e vem daí o nome da praça. Pois bem, essa torre construída pelo talento do operário cruzalmense foi colocada no local, às vésperas de sua inauguração que aconteceria num domingo. Para surpresa geral, a torre desapareceu na madrugada desse domingo. A solenidade já estava programada, convites expedidos para autoridades e a população. O que fazer? Essa era a dúvida que atormentava os dirigentes da Frente. Resolveu-se encomendar às pressas, uma pequena réplica medindo mais ou menos um metro. Ela seria exibida no verdadeiro comício em que se transformou o que seria uma simples solenidade. Foi redigido um manifesto denunciando à população a suposta ação criminosa perpetrada por entreguistas reacionários, lacaios do truste internacional. O alto falante móvel começou a circular por todas as ruas, divulgando o manifesto e confirmando a realização do evento, ainda que com uma torre simbólica. Nesse ínterim descobriu-se que o monumento fora arrastado e largado num matagal da Escola Agronômica. Fora obra de alguns estudantes que retornando da farra de fim-de-semana resolveu fazer a sacanagem. Mas aquela altura isso pouco importava.O importante era tirar proveito do fato. O que foi feito com a maestria de companheiros comunistas experientes nesse mister. Essa turma era retada mesmo (…) No final da história, quando a praça já estava lotada, os ânimos exaltados, e o prefeito fazia o seu discurso, eis que é anunciada a chegada da torre. Era trazida por uma comitiva de estudantes que resolvera devolvê-la a tempo de ser devidamente inaugurada. Era de arrepiar ver o povo, em delírio, aplaudindo a chegada torre! Uma apoteose, um grand finale (…).”

(FONTE: http://www.historiaoral.org.br/resources/anais/3/1340416677_ARQUIVO_TEXTOCOMPLETOHEBERok.pdf ; excerto: Depoimento do Sr. Cyro Mascarenhas Rodrigues em Cruz das Almas (BA), Agosto de 2010, p.p 24-25. )