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Cruz das Almas

LEMBRO COMO SE FOSSE HOJE.

Por Salomão Barbosa de Oliveira

Década de 80, baixinha da Vitória onde eu morava vizinho de “Piru” Lucio filho da saudosa Dona Nicinha. Foi com Piru que comecei a aprender a confeccionar “espadas” junto aos primos dele e meus quase irmãos Quinca (Roque neves) Lando (Carlos Arlan Neves) e meu fiel escudeiro Noca (João Noé Neves) e mais amigos como Mário.
A gente contava os dias para chegar o domingo que o saudoso Zezéu (0 mais velho dos Neves) ia chegar com o caminhão baú para irmos tirar bambu, era uma festa.
Entre viagem, investida no bambusal e retirada da matéria prima, sempre rolava um licorzinho feito por Dona Celina (matriarca dos Neves) e numa escapada é outra eu e Noca tomava um “golin” escondido. risos… Depois levava a bronca.
Cozinhar bambu
colocar no sol e ficar olhando por causa da chuva e a gente achava tudo aquilo divertido, fazer cerol e encerar barbante – que dureza – daí vinha a enrolar os bambus era o seguimento da diversão.
Quando era chegado o momento de labutar com pólvora a preocupação dos adultos era com os pivetes, eu (ioiozinho) e Noca.
Assim os dias iam passando e chegava Santo Antônio e algumas espadas já prontas para testes, uma adrenalina alucinante tomava conta de mim, uma mistura de medo e vontade de vê o espetáculo pirotécnico até o final.
Espadas testadas eu ficava observando a resenha. – Dá pra apertar mais!

– Só até 5.25 porque muito forte fica muito perigosa e corre o risco de soltar o barro quando bater em algum lugar. Essa era o palavra final que vinha sempre do mestre Piru.

Os dias eram mais gostosos no mês de junho , eu contava as horas para as aulas acabarem pra ir correndo pra casa trocar de roupa e fugir para o local do fabrico das “espadas”. Depois de batida, furada e escovada, vinha a parte que eu mais gostava que era colocar o “bocal” (a estética do artefato)
E entre euforia, trabalho e diversão São João se fazia presente.
De 22 pra 23 eu nem dormia de tanta adrenalina correndo pelo corpo todo.
Então era chegada a hora principal, depois da divisão eu era agraciado com a grande quantia de 5 ou 6 “espadas”. Satisfeitissimo eu empunhava aqueles fogos e me sentia a obra principal do São João, rodava toda cidade de forró em forró carregando aquele peso de pura satisfação. Mais no desfile daquele grupo no dia 23 de Junho véspera do dia Santo a noite em meio a muita fumaças chegava o momento de atravessar a Rua da Estação e visitar a Rua da Malva, eu, menino travesso tirado a homem tremia mais que vara verde mais ia adiande assim mesmo.
Ao voltar pra casa com uns licores na cabeça que eu tomava escondido, encontrava minha mãe a saudosa Dona Beneh virada no “setecento” mais também aliviada por me vê sem lesões.
No dia Santo entre bombas e espadas coriscos e foguetinhos eu exibia minhas cinco ou seis espadas ainda intactas. Então no meio dos amiguinhos da minha idade eu me exibia tocando uma em meio as turmas uniformizadas que passavam pela baixinha da Vitória – que eram muitas, ( ê ê ê tempo bom!)
E por fim eu tocava minhas preciosas recompensas por ajudar no fabrico de dezenas de dúzias de “espadas” e dessa maneira minha infância ficara marcada para sempre assim como minha paixão pela bricadeira mais excitante da qual participei na minha vida.
Obrigado Piru, Lando, Roque, Mário e Noca.

Por Edisandro Barbosa Bingre

Paulistano apaixonado por Cruz das Almas, desde o início dos anos 80 quando aqui veio morar, o que o levou a desenvolver um grande amor por esta terra. Escritor, Professor, Técnico em Agropecuária, estudante de Gestão Pública, Cerimonialista e Servidor Público Municipal.

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