BAIXA DA LINHA: UMA COMUNIDADE QUILOMBOLA

Vista da Comunidade da Baixa da Linha. Foto: Fabiane Lima  – 2015.

A comunidade da Baixa da Linha está localizada em terras próximas a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Constituídapor aproximadamente  mais  de  duzentas  casas(…).

Em  entrevista  cedida  no dia  12  de  março  de  2015,  por  um  morador nascido naquele  local, o Sr.  Simão do Nascimento,  este relata que a comunidade surgiu como  ponto de  refúgio  e  trabalho  de  quebrar pedras. Os escravos  que  trabalhavam  em  usinas  de engenhos  em  Santo  Amaro, Muritiba,  Cachoeira  e  São  Gonçalo  dos  Campos  quando da compra  de suas alforrias se  deslocavam  e  buscavam  as  atividades  de  quebradores de  pedra.  Em  decorrência  da  existência  de  jazidas  de  pedras  próximas ao  rio  Capivari e  abertura  da  via  férrea  pela  Rede  Ferroviária  Federal em 1915  e  a  construção  de pontes,  bueiros  e  estações  estes  alforriados quebradores  de  pedras  foram permanecendo  na  área  e  constituindo famílias,  surgindo  assim,  a  Comunidade  da Baixa da Linha que se autodefine como remanescentes de quilombo tendo Certidão de Autodefinição  expedido  pelo  Departamento  de  Proteção  ao  Patrimônio Afro -Brasileiro em 27 de setembro de 2010.  

Certidão de Autodefinição  expedido  pelo Departamento  de Proteção ao Patrimônio Afro-Brasileiro em 27 de setembro de 2010.  

UM IMPORTANTE SÍTIO ARQUEOLÓGICO – O senhor Simão do Nascimento informa que em 2000 na localidade foram descobertas urnas funerárias (grandes vasos de barro, lacrados), quando moradores aravam as  terras para o plantio de subsistência. Conforme o relato do mesmo foram descobertas três urnas: uma inteira grande, sendo encaminhada para a Igreja localizada na comunidade, e as outras quebradas, que alega não saber o paradeiro. Informando de maneira não clara que um rapaz chamado Val havia levado as urnas para o Centro Cultural de Cruz das Almas e lá retiraram o ouro destas (SANTOS, 2013, p.39). 

Estudos realizados por Nilton Antônio Souza Santos a respeito da relação do trem e a Comunidade Quilombola de Cruz das Almas, torna-se viável perceber uma possível relação, baseando-se na perspectiva de estudos centrados nas comunidades remanescentes de quilombos. E entendendo que o transporte ferroviário fez parte da ascensão da economia brasileira em meados do século XIX, e teve grande importância no desenvolvimento das cidades no Brasil, na maioria delas construídas com fins comerciais, com o objetivo de transportar mercadorias como: café, açúcar, farinha, fumo e outros produtos de peso. E em seguida usada para transportar pessoas, passando a ser um dos mais importantes meios de transporte mais usados da época. Outro item a ser observado é que. para o imaginário brasileiro, quilombos eram agrupamentos de africanos escravizados fugidos das fazendas, engenhos e minas que buscavam reproduzir uma vida comunitária à semelhança da África. [Nem sempre os eram.] 

Sendo assim os relatos de Senhor Simão trás um fundo de verdade, em  que muito se aproxima de um momento de ascensão econômica de nosso país como também das origens da Comunidade Baixa da Linha que se autodenomina como Remanescentes de Quilombo, uma vez que, existe toda uma interdependência. Essa comunidade é composta em sua maioria por  negros, conhecida como “Comunidade da Linha”, por conta da linha do trem existente no devido espaço.

(FONTE: Conservação e Preservação das Urnas Aratu do Sítio Reitoria, Cruz das Almas – Ba. – Pesquisa acadêmica UFRB in https://www.passeidireto.com/arquivo/45174953/conservacao-e-preservacao-das-urnas-aratu-do-sitio-reitoria-cruz-das-almas-ba )

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