DA SÉRIE: “SÃO JOÃO PASSOU POR AQUI?” – 1

Segundo a tradição oral, a exemplo das memórias de D. Maria Pereira que, aos 74 anos de idade, nos relatou ter herdado as práticas da festa de seus pais, os festejos de São João sempre estiveram presentes no cotidiano dos cidadãos cruzalmenses

“O São João que eu conheci, eram primeiramente meus pais que faziam, as portas eram  todas  abertas,  tinham  as  espadas  os  busca-pés,  mas  naquele momento  não  empatavam,  tinham  os  ternos,  que  eu  chamo  de  terno,  as pessoas saiam tudo fantasiado como as quadrilhas, saiam pelas ruas que não tinha negócio do arraiá, saiam tudo pela rua, chegava nas casas todo mundo entrava as mesas já tava tudo preparada com todo tipo de comida, com bolo, com  canjica,  amendoim,  pamonha,  licor  de  maracujá,  jenipapo,  pau-nas-coxa, [risos], tinham um outro mais eu não to lembrada agora […] ali todo mundo cantava, dançava forró, depois tornava sair corria todas as ruas.”

(FONTE: Depoimento de dona Maria Pereira da Silva, 74 anos, operária de Armazém de Fumo. Entrevista realizada em 13/05/2012, Cruz das Almas-BA in https://docplayer.com.br/81884849-Universidade-do-estado-da-bahia-uneb-departamento-de-ciencias-humanas-campus-v-programa-de-mestrado-em-historia-regional-e-local.html )

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ESTÁDIO ALBERTO PASSOS

Fachada do Estádio Alberto Passos, construído pela administração da Santa Casa de Misericórdia e mantido com recursos financeiros obtidos na venda dos ingressos para os jogos ali permitidos.
(Fonte: @HISTÓRIADECRUZDASALMAS)

SÃO JOÃO NO CLUBE

O jornal Nossa  Terra, em sua edição de nº 46 datado em 19 de junho de 1955, escreve  uma  reportagem  elogiando  um  tradicional  baile  de  São  João  que acontecia no Clube Cruz das Almas: 

Conforme  já  noticiamos  a  diretoria  do  “Cruz  das  Almas  Clube”  tomou  a feliz iniciativa de reviver, entre nós, os tradicionais bailes das vésperas de São  João,  que  no  passado  tanta  vida  e  encantamentos  proporcionavam  à cidade e muito especialmente às famílias, que reunidas nos salões festejavam alegremente  o  querido  santo  das  fogueiras,  consolidador  dos  namoros nascidos nas trezenas de Santo Antonio. Em torno dos brazeiros havia juras de compadresco enquanto moçoilas catitas e casadoiras tiravam sortes e toda a noite se coloria de cambiantes e balões. Em casa aguardando as visitas, cheiravam  os  pratos  das  cangicas,  bordado  de  canela-em-pó,  enquanto  o loiro  “genipapo”  era  farto  nas  frasqueiras  de  cristal.  Amendoim  cosido, pamonhas e milho assado, guloseimas de toda sorte completavam as alegrias joaninas, deixando no coração da gente a saudade do São João passado, que era amenizado com as esperança de novo São João. Estão de parabéns pois os diretores do “Cruz das Almas Clube”, pela noitada que vai oferecer a 23 deste, nos seus salões tipicamente ornamentados para esse fim.

(FONTE: Jornal Nossa  Terra nº 46 de 19 de junho de 1955.)