A FONTE DO DOUTOR

Fonte do Doutor 2

FONTE DO DOUTOR retratada em tela pelo pintor Zeca Salomão

Ainda me lembro das historias da Fonte do Doutor. Foi uma referência porque além de outras serventias abastecia a cidade com a sua água admirável. Um local que marcou a vida da cidade. Tinha uma expressão que se tornou popular e era citada em todos os lugares: QUEM BEBE ÁGUA DA FONTE DO DOUTOR, VOLTA! Não conheci a Fonte original onde o medico Dr. RIBEIRO DOS SANTOS se banhava todas as manhãs – daí o nome FONTE DO DOUTOR. Em sua homenagem a rua onde ele morou tem o seu nome, localizada entre a Av, Alberto Passos e Crisógno Fernandes. Daqui pra diante conheci. Onde é a lateral da Secretaria da Fazenda, Rua Lélia Passos, era a entrada para a Fazenda Bonsucesso que cortava um laranjal da vulgarmente chamada laranja de umbigo ou Bahia. Nas proximidades da Casa Grande (fazenda) uma grande quantidade de mangueiras, um jardim com varias espécies de rosas e predominantemente angélicas que eram comercializadas. Um estabulo para as vacas leiteiras. Dizem que a construção de um banheiro de carrapaticida foi o inicio da degradação do manancial (Fonte do Doutor). Nos anos 30, Dr. Luiz Eloy Passos foi nomeado Prefeito; na sua gestão foi construído o Matadouro Municipal e a reformulação da Fonte do Doutor cuja agua era colhida diretamente da forte. Construiu uma grande Caixa D’água, banheiros masculino e feminino, na lateral da caixa torneiras para captação de agua em latas, potes ou barris e colocação de mangueiras para lavagem de autos; varias bacias de cimento para lavagem de roupas. A Fonte tornou-se um ponto (point) de turismo das famílias cruz-almenses. Muitas famílias iam tomar o banho matinal na Fonte. Nada de maiô, as meninas entravam no box para o banho e as mães ficavam na porta do banheiro, de guarda da honra, não era guarda de honra era da honra. Aos homens era proibido sair de cueca dos boxes, O encarregado da Fonte era apelidado de Martelo; tinha um barraco de madeira onde ele vendia uma cachacinha para fregueses do banho e fregueses que não tomavam banho, só a cachaça. Os aguadeiros capitaneados por Bebiano vendiam agua nas casas, barris, para o consumo; para gasto geral era agua das cisternas. Curiosidade: O acesso à fonte era por uma ladeira de barro vermelho, sem calçamento; quando chovia era difícil para se subir até a pés. Muitos automóveis e caminhões pernoitavam lá por não poderem subir a ladeira, derrapavam. O abandono da Fonte se deu pela poluição. A agua perdeu o sabor original; quando coava ficava na toalha um liquido viscoso parecendo agua viva. Ainda com a perda da qualidade se compravam, depois da agua fornecida pela EMBASA se deixou definitivamente de comprar agua da Fonte. Acabaram-se os aguadeiros. A Fonte foi abandonada.
Quando funcionou o Grupo Ecológico Copioba, o Professor Eduardo Lacerda Ramos conclamou o Grupo a revitalizar Fonte, inclusive com uma ideia brilhante que seria construir um lago naquele local a começar do Matadouro até além da Fonte. A companheira ambientalista Margarete Sponchiado, hoje Engra, Agrônoma da Prefeitura da Porto Alegre, gostou da ideia e me convidou para irmos ver onde nascia a Fonte. Marcamos para o próximo domingo. Choveu muito no final de semana, percorremos o local sugerido pelo Eduardo e ela queria ir até a nascente da Fonte. Fui ver até onde poderíamos ir. Escorreguei tanto, me enlameei todo e não pude subir. Tinha um caminhão estacionado perto de onde estávamos ela pediu uma corda emprestada pra me resgatar. Pedi que ela amarrasse a corda no poste e subi com grande esforço. A Fonte do Doutor me fez Alpinista.

(FONTE: MENDES, Alyrio. EXCERTOS DA HISTORICA FONTE DO DOUTOR. in https://www.facebook.com/alyrio.mendes/posts/801882693192359?__tn__=K-R )

 

 

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4 comentários em “A FONTE DO DOUTOR

  1. Como bom Cruzalmense, lembro-me bem da Fonte do Doutor. Tinha o Sr. “Mano da Água” que entregava água em uma carroça em vários pontos da cidade, Ele entregava água no moinho de café MENDISAN, de Nelinho, onde a minha tia Nirce trabalhava. Lembro-me com saudades.

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  2. Mais uma bela recordação de minha fase cruzalmenses. Uma das atividades lúdicas de minha infância era, depois dos babas no campo de terra batida da sede dos escoteiros, ir com a turma tomar banho na fonte do doutor. Naquela época quem tomava conta era seu Nininho e dos aguadeiros lembro de seu Inocêncio que era também carcereiro da delegacia de polícia.

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