A GUERRA DE ESPADAS

Crônica sobre a tradicional batalha de fogos que acontece em Cruz das Almas, todos os anos, a 24 de junho, quando aqui atingem o clímax os festejos juninos.

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Bárbaro, semibárbaro, selvagem ou não, respeitados os sentimentos e as opiniões que despertam e originam, abstraídas certas naturais restrições e considerando do ângulo estético, temos de convir que é algo digno de ver-se, essa arrojada acrobacia faiscante e policrômica das “espadas”, nas olimpíadas disputadas nos dias dos festejos joaninos, e que serve de palco à nossa principal praça, a Municipal. E temos de reconhecer também, que já estão ganhando fama, fazendo “astros” e escola, a técnica, a perícia e a audácia dos aficionados do original esporte, que tem algo de espartano.

Espetáculo digno de ver-se, essa orgia louca de fogos, que cedo se inicia, intensificando-se gradualmente, para atingir o ponto máximo em intensidade e beleza quando jovens, adultos e quase crianças empenham-se nestes fogos florais, a esgrimirem em combates singulares ora em grupos, por vezes em “comandos” ou incursões solitárias, mas sempre a investirem, sem tergiversações nem temores, gládios flamejantes em punho, contra os alvos que lhe antepõem os outros preliantes, isolados ou não, sem atentarem nos perigos nem se cuidarem dos riscos ou danos físicos, relampejando fagulhas e chamas, quais iracundas potestades ou humanos arcanjos.

Dignas de ver-se, realmente, a calma, a precisão, a elegância com que investem e negaceiam, atacam, defendem-se e contra atacam, seguros e serenos, tripudiando sobre os répteis de fogo, dominando-os e devolvendo-os, com elegantes passes de toureador.

Se alguns, acrobatas e trapezistas aerodinâmicos, esmeram-se e estremam-se, librando-se em airosos remígios ou formando estranhas figuras geométricas, outros há que se exibem a saltitar, aos jatos, quais minúsculos dragões apocalípticos, em fúrias inúteis-salamandras vencidas, nos estertores agônicos.

E contemplareis, enfim, em meio às rajadas de fogo e cortinas de fumaça, os pequenos gavroches que formam espetáculo à parte, disputando os despojos da refrega que são os troféus dessa original e especializada olimpíada joanina.

Mario Pinto da Cunha, junho/1957.

(FONTE: Texto postado por Lita Passos in http://institutocampolimpo.blogspot.com/2012/02/ . Foto meramente ilustrativa)

UM MITO SOBRE A ORIGEM DO NOME DA CIDADE

FOTO DA CIDADE 5Sobre a versão romântica de que o nome Cruz das Almas deva-se ao “saudosismo de padres vindos da Cruz das Almas lusitana”, trata-se de um mito. Conforme registra-nos o escritor Mário Pinto da Cunha, o ocorrido foi que o Padre Gonzaga Cabral, um grande orador sacro que empolgava os auditórios pela década de vinte, num notável sermão aqui pronunciado em festa religiosa dia 17 de dezembro de 1924, invocou o nome de Cruz das Almas de Portugal, fazendo uma associação com a irmã e homônima Cruz das Almas da Bahia do Brasil, sendo que “aquela já realizada e estagnada na mediocridade provinciana, e esta aqui ainda adolescente, entre menina e moça, radiosa promessa tropical de maturidade e afirmação.”. Portanto, nada tem a ver com a origem da denominação ou sequer saudosismo, mas apenas uma alusão à outra homônima.

MANOEL CAETANO DA ROCHA PASSOS

manoel e beriliaMANOEL CAETANO DA ROCHA PASSOS, nasceu em 23/10/1884  na Fazenda Campo Limpo em Cruz das Almas, Bahia. Filho de Temístocles da Rocha Passos e de Jacinta Veloso da Rocha Passos. Casado com Berila Eloy Passos e pai de Manoel Caetano Filho, Dulce, Maria José, Jacinta e Lourdes.

Berila e Manoel Caetano Passos com os filhos (em pé, da esquerda para a direita) Manoel Caetano Filho, Dulce, Maria José, Jacinta e Lourdes.

Cursou o Primário com o Professor Mata Pereira. Estudou no Seminário por dois anos. Funcionário público do Ministério da Fazenda, fiscal de imposto de consumo.
Manoel CaetanoEleito deputado estadual, 1910, porém não exerceu o mandato devido às divergências políticas no governo Severino Vieira. Eleito deputado estadual, 1927-1930, deposto pela Revolução de Getúlio Vargas. Reeleito deputado estadual Constituinte, 1934 pelo Partido Social Democrático – PSD, por força do Golpe de Estado por Getúlio Vargas, perdeu seu mandato em 1937. Eleito deputado estadual Constituinte pelo Partido da União Democrática Nacional – UDN, 1947-1951.
Na Assembléia Legislativa, foi vice-presidente da Comissão de Indústria e Comércio (1949); titular da Comissão de Indústria e Comércio (1947-1948, 1950).
Homenageado com seu nome em uma praça em Cruz das Almas e no Centro de Saúde de Mauá.
(FONTE: http://www.al.ba.gov.br/assembleia/legislatura-deputado/543)

CATADOR DE PAPELÃO É ELEITO VEREADOR EM CRUZ DAS ALMAS

O catador de papelão Josafá Eloy Ribeiro, de 49 anos, vai experimentar uma mudança radical em sua rotina a partir de janeiro de 2009. Ele foi um dos 15 vereadores eleitos [no pleito eleitoral de 2008] para a Câmara de Cruz das Almas, a cerca de 150 quilômetros de Salvador (BA).

Conhecido como Josafá Benção de Deus – nome usado na urna pelo candidato -, o catador foi eleito pelo PRP com 929 votos.  Ele anunciou que o primeiro projeto que apresentará na Câmara visa atender a um de seus principais desejos: instalar uma cooperativa de reciclagem na cidade.

Josafá disse que não gastou nada na campanha. Afirmou ter recebido os “santinhos” do partido e arrecadado entre amigos o dinheiro para o pagamento do jingle de campanha.

“O povo que pediu [minha candidatura]. A maioria dos comerciantes achou que a população gostava de mim. (…) A minha campanha foi de boca, não teve carro de som, essas coisas”, contou o catador, que estudou até a 7ª série do ensino fundamental.

Josafá Eloy Ribeiro nasceu em Cruz das Almas e afirmou que aos 17 anos saiu de sua cidade natal para trabalhar como cozinheiro em São Paulo, onde morou por nove anos. Acabou ficando desempregado e voltou. Virou catador de papelão para poder sustentar a família.

“Comecei a catar latinha e papelão. Com o tempo, as pessoas começaram a guardar as coisas para mim. Comecei a poder pagar as coisas e cato papelão até hoje”, narrou.

O catador disse que ficou conhecido na cidade por distribuir balinhas para os moradores que guardavam garrafas PET e latinhas para ele.

Evangélico, afirmou que usará os ternos que veste para ir à igreja na estréia como vereador na Câmara. “Eu tenho três ternos. Dá para chegar lá.” Ele disse que mesmo após começar a trabalhar na Câmara, não pretende deixar de recolher material reciclável pelas ruas da cidade.

(FONTE: http://g1.globo.com/Eleicoes2008/0,,MUL791184-15693,00-CATADOR+DE+PAPELAO+E+ELEITO+VEREADOR+EM+CIDADE+BAIANA.html )

A FONTE DO DOUTOR

Fonte do Doutor 2

FONTE DO DOUTOR retratada em tela pelo pintor Zeca Salomão

Ainda me lembro das historias da Fonte do Doutor. Foi uma referência porque além de outras serventias abastecia a cidade com a sua água admirável. Um local que marcou a vida da cidade. Tinha uma expressão que se tornou popular e era citada em todos os lugares: QUEM BEBE ÁGUA DA FONTE DO DOUTOR, VOLTA! Não conheci a Fonte original onde o medico Dr. RIBEIRO DOS SANTOS se banhava todas as manhãs – daí o nome FONTE DO DOUTOR. Em sua homenagem a rua onde ele morou tem o seu nome, localizada entre a Av, Alberto Passos e Crisógno Fernandes. Daqui pra diante conheci. Onde é a lateral da Secretaria da Fazenda, Rua Lélia Passos, era a entrada para a Fazenda Bonsucesso que cortava um laranjal da vulgarmente chamada laranja de umbigo ou Bahia. Nas proximidades da Casa Grande (fazenda) uma grande quantidade de mangueiras, um jardim com varias espécies de rosas e predominantemente angélicas que eram comercializadas. Um estabulo para as vacas leiteiras. Dizem que a construção de um banheiro de carrapaticida foi o inicio da degradação do manancial (Fonte do Doutor). Nos anos 30, Dr. Luiz Eloy Passos foi nomeado Prefeito; na sua gestão foi construído o Matadouro Municipal e a reformulação da Fonte do Doutor cuja agua era colhida diretamente da forte. Construiu uma grande Caixa D’água, banheiros masculino e feminino, na lateral da caixa torneiras para captação de agua em latas, potes ou barris e colocação de mangueiras para lavagem de autos; varias bacias de cimento para lavagem de roupas. A Fonte tornou-se um ponto (point) de turismo das famílias cruz-almenses. Muitas famílias iam tomar o banho matinal na Fonte. Nada de maiô, as meninas entravam no box para o banho e as mães ficavam na porta do banheiro, de guarda da honra, não era guarda de honra era da honra. Aos homens era proibido sair de cueca dos boxes, O encarregado da Fonte era apelidado de Martelo; tinha um barraco de madeira onde ele vendia uma cachacinha para fregueses do banho e fregueses que não tomavam banho, só a cachaça. Os aguadeiros capitaneados por Bebiano vendiam agua nas casas, barris, para o consumo; para gasto geral era agua das cisternas. Curiosidade: O acesso à fonte era por uma ladeira de barro vermelho, sem calçamento; quando chovia era difícil para se subir até a pés. Muitos automóveis e caminhões pernoitavam lá por não poderem subir a ladeira, derrapavam. O abandono da Fonte se deu pela poluição. A agua perdeu o sabor original; quando coava ficava na toalha um liquido viscoso parecendo agua viva. Ainda com a perda da qualidade se compravam, depois da agua fornecida pela EMBASA se deixou definitivamente de comprar agua da Fonte. Acabaram-se os aguadeiros. A Fonte foi abandonada.
Quando funcionou o Grupo Ecológico Copioba, o Professor Eduardo Lacerda Ramos conclamou o Grupo a revitalizar Fonte, inclusive com uma ideia brilhante que seria construir um lago naquele local a começar do Matadouro até além da Fonte. A companheira ambientalista Margarete Sponchiado, hoje Engra, Agrônoma da Prefeitura da Porto Alegre, gostou da ideia e me convidou para irmos ver onde nascia a Fonte. Marcamos para o próximo domingo. Choveu muito no final de semana, percorremos o local sugerido pelo Eduardo e ela queria ir até a nascente da Fonte. Fui ver até onde poderíamos ir. Escorreguei tanto, me enlameei todo e não pude subir. Tinha um caminhão estacionado perto de onde estávamos ela pediu uma corda emprestada pra me resgatar. Pedi que ela amarrasse a corda no poste e subi com grande esforço. A Fonte do Doutor me fez Alpinista.

(FONTE: MENDES, Alyrio. EXCERTOS DA HISTORICA FONTE DO DOUTOR. in https://www.facebook.com/alyrio.mendes/posts/801882693192359?__tn__=K-R )

 

 

O PADRE JULIÃO

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Padre Julian Edward Josef Claes, o Padre Julião, nasceu em Harderwijka, na Holanda em 05 de setembro de 1918. Chegou ao Brasil em março de 1969 para ser Vigário na Paróquia Nossa Senhora do Bom Sucesso em Cruz das Almas. Além de Sacerdote era Professor e Engenheiro Agrônomo e direcionou sua missão no país principalmente à zona rural. Em 1977 criou a primeira Escola da Família Rural no município de Sapeaçu. Em 1978 sua obra ganhou personalidade jurídica com a criação do Centro Promocional Rural da Bahia e no ano de 1979 criou o Centro Educacional de Maragojipe. Faleceu em 28 de junho de 1998, em Cruz das Almas.
Nota do editor: O Município, em  homenagem à memória do Padre Julião, deu o seu nome para uma praça no bairro Sorriso e para uma escola infantil no bairro Touquinha.
(FONTES: https://www.diocesedecruzdasalmas.com.br/blog/ ; SOUZA, Raymundo Fonseca. VIDA A SERVIÇO DE DEUS E DO POVO. Diocese de Cruz das Almas. 2ª edição. 2018)

GRUPO DE ESCOTEIROS DE CRUZ DAS ALMAS

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O Grupo Escoteiro General Edgard da Cruz Cordeiro foi fundado no ano de 1953,  na cidade de Cruz das Almas, com sede na rua Lauro Passos nº 108, na Baixinha da Vitória. Um dos lemas do grupo é “uma vez escoteiro, sempre escoteiro”, já que os que participam do escotismo seguem suas leis e a promessa um dia feita por cada um até o fim de suas vidas. O movimento é uma organização mundial educacional voltada para crianças, adolescentes e jovens que tem a oportunidade de desenvolver diversas áreas de suas vidas, que são: emocional, intelectual, físico, social, espiritual e afetivo. Em Cruz das Almas, não é diferente. O grupo tem diversos serviços sociais prestados e trabalhos relevantes para a sociedade.

CHEFE CARLOS
Chefe Carlos

EM CRUZ DAS ALMAS: O Grupo Escoteiro General Edgard da Cruz Cordeiro foi fundado no dia 31 de agosto de 1953 por Carlos Humberto Pires Ferreira, o Chefe Carlos que, trabalhando no Instituto Agronômico do Leste, veio residir em Cruz das Almas.

NO BRASIL: Em 17 de abril de 1910, encerrando um ciclo de quatro anos de renovação da frota naval brasileira, o Encouraçado Minas Gerais chegava ao Brasil, vindo da Europa, com um grupo de oficiais que trazia consigo uniformes e acessórios escoteiros, depois de acompanhar o enorme sucesso que o Movimento fazia na Inglaterra. O grupo logo se organizou para fundar a primeira associação escoteira, chamada de Centro de Boys Scouts do Brasil, no Rio de Janeiro. A palavra “escoteiros” só surgiu alguns anos depois, ocupando o lugar do termo “scrutar”, adotado assim que o Escotismo chegou ao país. Rapidamente o Movimento Escoteiro se espalhou por todo o território nacional, inicialmente com diversas associações independentes, até que, em 4 de novembro de 1924, foi criada a União dos Escoteiros do Brasil, acompanhando o desejo de Baden-Powell de ver o senso de unidade entre os diversos grupos escoteiros em cada país.

NO MUNDO: O Movimento Escoteiro foi fundado em 1907 pelo General Robert Baden-Powell, na Inglaterra. Sem pretender trazer a rigidez militar para o Movimento Escoteiro, Baden-Powell aproveitou os elementos positivos de fomento à camaradagem, iniciativa, coragem e autodisciplina, bem como técnicas que seriam úteis no desenvolvimento dos jovens para criar um movimento educacional.

A FLOR DE LIS: Baden-Powell escolheu a Flor de Lis como símbolo do Movimento Escoteiro por ela ser utilizada em mapas indicando o norte, que representa para o Escoteiro o verdadeiro caminho a ser seguido, sem se desviar na sua conduta. Na Flor de Lis da Organização Mundial do Movimento Escoteiro, as três pontas representam as três partes da Promessa Escoteira: deveres para com Deus, obediência à Lei Escoteira e serviço ao próximo. As duas estrelas com cinco pontas cada representam Verdade e Conhecimento, e as dez pontas das estrelas nos lembram os dez artigos da Lei Escoteira. O círculo que une as três pontas da Flor de Lis representa o laço da irmandade que nos mantém unidos, e a corda que a envolve, amarrada com um nó direito, representa a força e a união da Fraternidade Mundial. As cores escolhidas por Baden-Powell foram branco com o fundo roxo; em heráldica, o branco representa a pureza e o roxo liderança e serviço ao próximo. Desde o início do Movimento Escoteiro, mais de 250 milhões de jovens e adultos já utilizaram a Flor de Lis do Movimento Escoteiro, tornando-a um dos símbolos mais reconhecidos no mundo.

Flor de lis escoteira

(FONTES: http://www.reportertatu.com.br/2018/08/grupo-escoteiro-de-cruz-das-almas.html ; http://www.escoteiros.org.br/arquivos/internacional/CNRI_escotismo_mundial.pdf ; www.escoteiros.org.br/historia/ )