PROFESSOR MATA PEREIRA

Professor Mata Pereira

Professor Mata Pereira

Quem passa pela Rua Professor Mata Pereira (ou Rua do Hospital, como também é conhecida) talvez nem saiba quem foi esse personagem, ilustre educador cruzalmense que dá nome ao logradouro.

O Professor Pedro Augusto da Mata Pereira foi um professor primário, nascido em Cruz das Almas, que teve grande mérito na área de educação e do ensino nesta terra. Lecionou com eficiência as primeiras letras e o propedêutico a várias gerações de cruzalmenses. Foi um disciplinador rígido, educador severo, que sempre atuou como professor à moda antiga, levando a disciplina ao extremo. Manteve-se firme na sala de aula até poucos dias antes de falecer com a idade de 95 anos.

(FONTES: O LIVRO DO CENTENÁRIO, Alino Matta Santana. Cyro Mascarenhas in CRUZ DAS ALMAS – FOTOS ANTIGAS\Facebook)

O DISCURSO DO TROTE

Trote dos Calouros

A festa do calouro, celebrada anualmente a 13 de maio, (…), é o acontecimento social de maior repercussão na cidade. Dividida em duas partes: pela manhã o desfile e, à noite, a festa dançante, durante a qual são conferidos, sob juramento, diplomas aos “burros”. É realmente, um dia festivo esse da confraternização de veteranos e calouros, sob o patrocínio da sociedade local. Partindo do alojamento, o desfile termina na praça principal da Cidade, onde é recebido entre aplausos e risos provocados pelas charges que graças a Deus, podem ser lidas pelas famílias.

Professores, políticos, fatos locais são satirizados. Há professores com lugar permanente nessas brincadeiras. Eu sou um deles. Já tive a minha fase de evidência; ultimamente ando esquecido. Mas a festa do calouro, no tempo em que se resumia apenas num trote violento, transformou-se num dia de tristeza para a Cidade e, principalmente, para a Escola de Agronomia. Tudo por causa de uma frase infeliz, intercalada no discurso que deram a um calouro, para ser lido no coreto. Sei que o seu autor, hoje um distinto agrônomo, não teve a intenção de ferir a dignidade da família cruzalmense, mas o fato é que o discurso motivou séria animosidade, quase gerando um conflito de resultados imprevisíveis, separando, embora por pouco tempo, o que antes era um todo, sem linha divisória: A Cidade e a Escola. Aquela exigia uma reparação à ofensa; esta dizendo-se incompreendida, negava-se. Clima tenso, durante alguns dias, entre a população e os estudantes, As “Repúblicas” foram voluntariamente fechadas e os seus ocupantes acamparam na Escola, considerada sitiada. Ninguém saia pelos portões, receando represálias; ninguém entrava na Escola, pequena praça de guerra, porque se entrasse sem autorização, ficaria prisioneiro. Do Rio de janeiro, pelas ondas da Radio Tupi, veio, certa noite um apelo à população da cidade, pedindo uma melhor compreensão para os excessos dos rapazes. A situação que se agravara, não podia perdurar. Um grupo de senhoras, tendo à frente D. Maricotinha Dias, parlamentou com as partes, resultando daí o armistício. A cidade encerrou o assunto, paralisando suas atividades durante vinte e quatro horas, em sinal de protesto. O comércio, cerrando suas portas, reabriu-as no dia seguinte, normalmente, dando a impressão de que nada havia ocorrido. O povo, com a dignidade que lhe é peculiar esqueceu o excesso da brincadeira e hoje é esse mesmo povo que recebe em seus lares os estudantes da Escola, com o mesmo carinho e simpatia, prestigiando a festa do calouro.

Esta crônica faz parte do livro Poeira da Gleba, escrito pelo professor Clodoaldo Gomes da Costa, em 1964. Fundador, primeiro diretor e professor do Colégio Alberto Torres, ele foi exemplo de educador pela sua dedicação ao ensino agronômico na Escola de Agronomia, e no colégio Alberto Torres, referência de ensino no interior da Bahia.

(FONTE: Revista Literária REFLEXOS DE UNIVERSOS nº 91 in https://www.facebook.com/ReflexosDeUniversos/photos/a.1549492168395228.1073741852.618529774824810/1549513388393106/?type=3&theater )

MOVIMENTO ESTUDANTIL EM CRUZ DAS ALMAS

Polícia em Agronomia - foto 1

“Uma operação desnecessária”, afirmaram os líderes estudantis ao comentarem a ocupação do campus da Escola de Agronomia, na cidade de Cruz das Almas, no interior da Bahia. Os soldados chegaram na manhã do dia 21 de novembro de 1977 com cassetetes, metralhadoras e bombas de gás lacrimogêneo , para enfrentar uma resistência que afinal não houve.

Diante da falta de reação, a ocupação foi relaxada e horas depois o Reitor Augusto Mascarenhas, da Universidade Federal da Bahia, distribuía uma nota oficial em que afirmava ter pedido a presença da polícia para garantir os alunos que não tinham aderido à greve, que já dura mais de trinta dias. Tão logo a polícia chegou, um soldado com um megafone gritava: “Quem quiser assistir às aulas pode ir que nós garantimos”. Mas ninguém entrou. As consequências da intervenção foram mais amplas, entretanto: no mesmo dia , várias unidades da Ufba aderiram à greve em apoio aos colegas de Agronomia, à frente os alunos de Economia,Geologia, Instituto de Física e Geociências.

INÉDITO

A presença dos policiais armados de metralhadoras e com capacetes protegendo a cabeça quebrou a rotina da tranquila cidade de Cruz das Almas. Muitas pessoas foram até a Escola de Agronomia para observar o espetáculo, que era zelosamente dirigido pelo próprio Secretário de Segurança Pública, o coronel Luis Artur de Carvalho. Este procurou dialogar com os estudantes, que se mantiveram no entanto, impassíveis.
Simultaneamente, o Reitor Mascarenhas advertia que, se a greve persistir, a consequência lógica será a reprovação do semestre.

(FONTERevista Manchete 10 de dezembro de 1977 in http://reynivaldobrito.blogspot.com.br/2012/04/uma-ocupacao-policial-desnecessaria.html )