LUIZ GONZAGA EM CRUZ DAS ALMAS

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Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, fez grandes campanhas de propaganda política e anúncios publicitários, a exemplo da campanha das bicicletas Monark, quando o Rei viajou por todo o Nordeste fazendo shows em praças públicas, inclusive esteve em Cruz das Almas. Sobre isto, Rei Cônsul e Hermes Peixoto nos contam em seu cordel:

Patrocinado pela Monark

Nesta terra o rei cantou

A apresentação foi um sucesso

Silvestre Caldas o entrevistou

Luiz ficou agradecido

Silvestre quase chorou

Relatos:                                             

“(…) na década de 50, ele cantou para o povo na Praça do Lavrador. Eu era criança e assisti na companhia do meu pai que adorava o Rei do Baião.” – Cyro Mascarenhas

“Minha avó conta que conheceu ele na Santa Casa quando estava internada após uma cirurgia. Ele tocou e cantou para os pacientes.” – Lorena Rocha

“Cantou no Cine Glória, num domingo, pela manhã. O tocador de triângulo era um anão. Na Praça, cantou em cima de um caminhão.” – Carlos Alberto Passos

(FONTES: O SÃO JOÃO DO GONZAGÃO, cordel de Rei Cônsul e Hermes Peixoto;  http://museugonzagaoserrinha.blogspot.com.br/2012/02/luiz-gonzaga-o-rei-do-baiao-faz-grande.html)

A JAQUEIRA QUE “PULOU” A CERCA

 

jaqueira

IMAGEM MERAMENTE ILUSTRATIVA

Lembrei-me de um caso, ouvido quando eu ainda era estudante no CEAT, lá pelos idos dos anos 80/90. Correu uma notícia pela cidade de que uma jaqueira, que ficava no lado de fora da fazenda de Primo Silveira (esta delimitada por uma cerca de arame farpado), num certo dia de chuva forte, eis que caiu um raio sobre a tal jaqueira  fazendo com que ela mudasse de lugar, passando para o lado de dentro da cerca; ou seja “pulou’ para dentro da fazenda de Primo Silveira. (Ou terá sido o inverso?) Enfim… Lembro-me de que muitos dos meus colegas montaram em suas bicicletas e foram, em comitiva, verificar ‘in loco‘ a curiosa notícia. Alguém lembra disso?

CANGACEIROS EM CRUZ DAS ALMAS E REGIÃO: MITO OU VERDADE?

Sempre fui muito fascinado pela história de Lampião, o Rei do Cangaço. Certa vez, quando criança ou adolescente, eu conversando com minha mãe, que nasceu na Vila de Sapé (atual Sapeaçu) e cresceu na Fazenda Menezes, de propriedade do meu avô, ela contou-me a história de que havia passado “um bando de cangaceiros” na estrada que beirava a propriedade de meu avô. Eles chegaram e pararam debaixo de três grandes árvores que ficavam no terreiro, na frente da casa grande.  Daí, todos da fazenda se trancaram dentro de casa, só meu avô saiu para falar com os cangaceiros, que pediram água e comida. As mulheres da casa então apressaram-se a preparar farta refeição, que foi servida colocada apenas no lado de fora da porta para que alguém deles viesse pegar. Ninguém mais, além do meu avô, saia para vê-los ou falar com eles até os cangaceiros terminarem de comer e irem embora, sem molestar ninguém e nem roubar nada.

Fiquei com esta história na cabeça por muito tempo.

Algum tempo depois, fazendo minhas pesquisas na internet, encontro o seguinte texto num fórum:

“Estudei muito sobre o cangaço e fiquei fascinado com a história, li em todos os locais que o cangaço acabou com a morte de Corisco em 1940, só que conversando com a minha bisa que tem 87 anos ela me contou que na década de 50 tinha um cangaceiro chamado “Zé Guabiraba” que espalhava muito medo nas cidades do interior, ela é de Castro Alves – BA.” – (Guilherme Velame, in LAMPIÃO-Grande Rei do Cangaço, 2011)

E, hoje, li o seguinte relato no livro Cruz das Almas dos meus bons tempos, de Renato Passos da Silva Pinto Filho:

“Eu só me lembro desta gloriosa força policial com medo, foi na época do bandido cangaceiro Guabiraba, que queria imitar o Lampeão, e estava dando o que fazer. Foi preciso pedir ajuda às forças policiais da Bahia; neste tempo, aqui em Cruz das Almas nem nas cidades vizinhas ninguém vivia sossegado; até que um dia liquidaram Guabiraba e eu vi quando chegou morto aqui na delegacia, amarrado pelos pés e pelas mãos num toro de pau, parecendo um bicho, com o corpo cheio de balas. Os soldados não deixaram a gente chegar perto para ver o bandido morto.”

Enfim…
Será que mais alguém aqui sabe alguma história sobre os cangaceiros em Cruz das Almas ou região? Compartilhe conosco.

NO ENTENDER DOS MENINOS, POLÍTICA EM CRUZ DAS ALMAS ERA ASSIM…

– Por que é que os meninos de (…) não estão falando com a gente? Já passaram diversas vezes por nós aqui na feira e fazem que não nos veem.

– Sei lá… deve ser por causa da política dos adultos, que não compreendemos, mas fazemos de conta que sim para colaborar, e dá nisso, quem é de lá não fala com os de cá, e quem é de cá não fala com os de lá; isso é bobagem de gente grande, menino não devia se meter nisso.

(…)

Os adultos inventaram a política e as eleições, para separar a gente; é claro que não gostamos de ouvir ninguém xingando ou dizendo mentiras sobre os meus tios; nem eu nem os meus primos, assim como eles também não devem gostar de ouvir coisas ruins a respeito dos adultos deles que são candidatos contra os nossos; aí vem de lá e vai de cá, o meu é bom o teu não presta; quem não presta é o teu e todo mundo sabe… e o pau quebra e vira porrada, dividindo a turma e passamos a ser os (…) contra os (…).

(FONTECruz das Almas dos meus bons tempos.  PINTO FILHO, Renato Passos da Silva, 1936 )

SERVIÇO DE ALTO FALANTES TAMANDARÉ

alto falante

(…) Estas janelas envidraçadas na frente, dão para a rua e para os jardins da praça, esta que está meio aberta o Major Alberto costuma chegar todas as tardinhas antes do jantar para olhar o movimento da rua e pensar, no fim do dia ouvindo a Ave-Maria através das onze bocas do Serviço de Alto Falantes Tamandaré, em pura alta fidelidade, a atual voz da cidade, distribuídas nas principais ruas e pontos estratégicos a zumbir, para melhor se fazer ouvir.

Antes do Serviço de Alto Falante Tamandaré, a voz da cidade era falada pelo serviço de alto falantes de Zete, filho de seu Artur Martins e você precisava escutar o Picopeu, locutor de categoria (…)

(FONTE: Cruz das Almas dos meus bons tempos.  PINTO FILHO, Renato Passos da Silva, 1936 )

*Imagem meramente ilustrativa

FORMAÇÃO ADMINISTRATIVA E EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DE CRUZ DAS ALMAS

Formação Administrativa

Distrito criado, com a denominação de Cruz das Almas, pelo Alvará de 22-01-1815, subordinado ao município de São Félix.
Elevado à categoria de vila com a denominação de Cruz das Almas, pela Lei Estadual n.º 190, de 29-07-1897, sendo desmembrado de São Félix. Sede no antigo distrito de Cruz das Almas. Constituído de 2 distritos: Cruz das Almas e Sapé, ambos desmembrados de São Félix. Instalado em 01-12-1897.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, a vila aparece constituída de 3 distritos: Cruz das Almas, Sapé e Baixa da Palmeira.
Assim permanecendo nos quadros de apuração do Recenseamento Geral de 1-IX-1920.
Elevado à condição de cidade, com a denominação de Cruz das Almas, pela Lei Estadual n.º 1.537, de 31-08-1921.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município é constituído de 3 distritos: Cruz das Almas, Baixa da Palmeira e Sapé.
Assim permanecendo em divisões territoriais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII-1937. Pelo Decreto-lei Estadual n.º 141, de 31-12-1943, confirmado pelo Decreto-lei Estadual n.º 12.978, de 01-06-1944, o distrito de Sapé tomou a denominação de Sapeaçu.
Em divisão territorial datada de 1-VII-1950, o município é constituído de Cruz das Almas, Baixa da Palmeira e Sapeaçu.
Pela Lei Estadual n.º 549, de 27-04-1953, são desmembrados do município de Cruz das Almas os distritos de Sapeaçu e Baixa da Palmeira, para constituírem o novo município de Sapeaçu.
Em divisão territorial datada de 1-VII-1960, o município é constituído do distrito sede.

(FONTE: http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=290980&search=bahia|cruz-das-almas|infograficos:-historico)