CINEMA EM CRUZ DAS ALMAS

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Cruz das Almas já possuiu grandes cinemas e que deixaram saudosas recordações a muitos cruzalmenses.

Um deles foi o Cine Glória, que funcionou nas décadas de 50, 60 e 70, na Rua Ótens, em frente onde hoje é o Supermercado Rio Branco. Muitos ainda recordam-se, com saudade, das matinês aos domingos. Grandes produções cinematográficas foram ali exibidas, como “Tarzan”, “A Paixão de Cristo” e “O Ataque das Abelhas Assassinas”. Inclusive, existia ali também um palco para apresentação de peças teatrais e show de cantores.

O senhor Florisvaldo Santana (Vado), que foi vereador em Cruz das Almas, comprou o Cine Glória que passou a chamar-se Cine Ópera.

Outro cinema muito frequentado foi o Cine Popular, que ficava onde hoje é a Loja Dinossauros – ao lado da Real Calçados.

Mais recentemente, em 2007, o Prefeito Orlandinho inaugurou a Sala de Cinema da Biblioteca Municipal Carmelito Barbosa Alves, bem montada num amplo e confortável auditório, com concorridas exibições de bons filmes e uma platéia formada por jovens, sobretudo estudantes da cidade em busca de bom entretenimento.

Merecem destaque também as antigas exibições de filmes no Teatro do Porão da Casa da Cultura Galeno D’Avelírio, sempre com público lotado; e o Projeto Cine Santa Cruz, promovido pela Rádio Santa Cruz e idealizado pelo Vereador Mário do Jornal.

(FONTES: http://biblioteca.ibge.gov.br/biblioteca-catalogo.html?view=detalhes&id=428902http://bahiareconcavo.com.br/site/2015/09/cine-santa-cruz-faz-sucesso-em-cruz-das-almas/https://www.facebook.com/groups/CRUZ DAS ALMAS-FOTOS ANTIGAS ; Jornal Nossa Terra)

O COMENDADOR TEMÍSTOCLES E A ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA EM CRUZ DAS ALMAS.

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Entre os senhores de engenho da Freguesia de Cruz das Almas, o que possuía maior quantitativo de escravos e notoriedade política era o coronel Temístocles da Rocha Passos, pertencente da família Rocha Passos, com vários membros da família possuindo cargos militares. Nascido na freguesia de Cruz das Almas em 1832, filho de legítimo de Manoel Caetano de Oliveira Passos e de Balbina Maria do Amor Divino, seu pai foi cadete da companhia “Belona” que lutou “em toda a campanha da independência” (SANTANA, 1997, p.89). Ao longo da sua vida construiu uma importante carreira política na cidade de Cachoeira e por último, em Cruz das Almas, sendo membro do Partido Liberal. Exerceu mandado de vereador em Cachoeira de 1865 a 1868, ficando na década de 1870 sem cargo político voltando a ser vereador entre os anos de 1881 e 1882, sendo escolhido presidente da Câmara Municipal, com a volta do Partido Liberal ao poder. Foi eleito deputado federal, de 1882 a 1883, e reeleito para mandato de 1884 a 1885. Elegeu-se novamente a deputado federal nos anos de 1888 e 1889, sendo vice-presidente da mesa da assembleia e tenta reeleição, já no período republicano, de 1890 a 1891, que não se realizou por ter sido dissolvidas e extintas as assembleias provinciais pelo Governo Provisório (SANTANA, 1997, p.90-91). Apresentar o resumo da vida política de Temístocles da Rocha passos elucida algumas atitudes tomadas pelo político e fazendeiro, que se tornou notório por ter libertado uma quantidade significativa de escravos de uma só vez na Comarca de Cachoeira. Entretanto, outras fontes esclarecem que a libertação de seus escravos não foi uma atitude benemérita, mas algo que aconteceu no Recôncavo e em outras regiões escravagistas no país, visto que a escravidão estava prestes a sucumbir e os senhores buscavam alternativas para não perder sua mão-de-obra em meio “a desobediência e insubordinação escrava” (FRAGA, 2014, p.106). Apesar de pouco referenciada, a Freguesia de Cruz das Almas possuía um número significativo de senhores com posses, investigado por Uelton Rocha, mas com dados analisados em conjunto com as freguesias de São Pedro da Muritiba e Outeiro Redondo. Para as três freguesias Rocha aponta o índice de 31% de escravos no rol de bens inventariados na última década da escravidão, entre 1880 a 1889, sendo que na vigência do tráfico ilegal de escravos a mesma região alcançou índice de 45% (ROCHA, 2015, p.137). Tais informações podem ser comprovadas a partir de anúncios de jornal, como em O Progresso de 1877, em que foi publicado uma lista de escravos residentes no município da cidade de Cachoeira para serem libertos a partir da “quota de 42:006$150 do fundo de emancipação”. Na lista aparece o nome dos escravos e seus senhores de toda a Comarca de Cachoeira, inclusive da Freguesia de Cruz das Almas, entretanto, não constando nenhum escravo da família Rocha Passos. Foram listados os senhores de Cruz das Almas Felisberta Maria da Conceição com dois escravos, Jacinto José Ribeiro com um escravo, Feliciano Procópio dos Santos com um escravo, José Antonio Fiusa com um escravo, D. Ana de Jesus Athaide com um escravo, Maria Florinda Sampaio com um escravo, Plácido José Novais e Albuquerque com um escravo, José Rodrigues de Souza com um escravo, de José Egídio da Rocha Medrado com três escravos, Jacinto Ferreira Borges com um escravo, Jacinto José de Souza com um escravo e de Anna Carolina do Sacramento com um escravo. Dos quinze escravos listados, apenas um era idoso com 74 anos, todos casados, com ofício de agrícola ou vaqueiro (O PROGRESSO, 1877, p. 1). Não foi encontrada nenhuma informação a respeito da liberdade de escravos da família Rocha Passos a partir do Fundo de Emancipação. Observou-se que a família Rocha Passos quando dava a liberdade para algum escravo buscava realizar com notoriedade, com carta publicada em jornal a fim de demonstrar a benevolência dos senhores. (…)

É preciso analisar, com muita cautela, a imagem do coronel Temístocles da Rocha Passos sendo apresentada como um abolicionista ou benemérito dos escravos por ter libertado dezenas de escravos algumas semanas antes do fim da escravidão como veremos adiante. O coronel, antes de tudo era um político, que já tinha sido vereador algumas vezes e estava no terceiro mandato de deputado federal, membro do Partido Liberal, mas senhor de grande extensão de terras na Freguesia de Cruz das Almas. (…)

(FONTE: O CORONEL TEMÍSTOCLES DA ROCHA PASSOS E O FIM DA ESCRAVIDÃO NA FREGUESIA DE NOSSA SENHORA DO BOM SUCESSO DA CRUZ DAS ALMAS-BA, escrito porSura Carmo in
http://www.encontro2018.bahia.anpuh.org/resources/anais/8/1532398896_ARQUIVO_anpuhbahiaartigocompletosuracarmo.pdf )

PERSEGUIÇÃO ESCRAVOCRATA EM CRUZ DAS ALMAS

Capitão do mato prende cruzalmense por ele ser filho de uma africana importada.

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A reportagem intitulada Que Malvadez!, publicada no jornal abolicionista O Asteróide, da cidade de Cachoeira, em 1887, narra a prisão de Antonio, homem de bom “procedimento” e “querido por todos”. Considerada uma prisão injusta pelo periódico, Antonio seria filho de escrava africana importada ilegalmente após 1831. Antonio, certamente, sabia da ilegalidade do tráfico de sua progenitora e do seu direito de liberdade, contudo, a lei dificilmente era cumprida sem a ação de abolicionistas. A forma truculenta como Antonio foi abordado revoltou os editores do jornal:

” Na freguesia de Cruz das Almas viva, há muito tempo Antonio, conhecido por Tuite, negociando com molhados, comprando e vendendo por sua conta, e tendo um procedimento, pelo que era querido por todos. Em um bello dia, antes do Natal, appareceo o Capitão Pedro Celestino da Rocha “dizendo-se senhor” de Antonio, e bruscamente, ajudado “de capitães do mato” prenderam-no violentamente, e levaram o infeliz amarrado em cordas, para o engenho do senhor Umbelino, onde dizem metteram no em tronco. A venda de Antonio trancada, tendo elle o prejuízo da vendagem, assim como um botequim que tinha armado no arraial da Imbira, para a festa, ficou a toa. Acresce que Antonio é filho de africana importada depois de 31 e consta que a seu favor militam outras razões ainda. Veremos (O ASTERÓIDE, 1887, p.2). “

Não se sabe como o caso de Antonio da freguesia de Cruz das Almas foi resolvido, mas é possível classificar a ação de Pedro Celestino da Rocha, da família Rocha Passos, como violenta, associada ao fim da escravidão que se anunciava e a preocupação rigorosa em não perder nenhuma peça de escravo.

FARMÁCIA SÃO SALVADOR: 75 ANOS DE HISTÓRIA

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Imagem meramente ilustrativa

1935 – Fundação da Farmácia São Salvador pelo Dr. Ramiro Magalhães Costa, recém-formado em Farmácia pela UFBA. Localizada na Av. Alberto Passos, nº 95, onde funcionou durante muito tempo a Loja Cinderela do ramo de calçados.

1936 – A Farmácia São Salvador é transferida para a Rua 1º de Dezembro nº 114, atual Praça Senador Temístocles, nº 688, onde hoje funciona parte da Caixa Econômica Federal.

1949 – Construção artesanal dos móveis da Farmácia São Salvador, em 45 dias, pelo Sr. Raimundo Alves da Silva, filho de Mário Marceneiro, utilizando tábuas de jequitibá e compensados de ipê, com vidros adquiridos na tradicional firma O Vidraceiro, estabelecida na capital.

1962 – Incêndio da Loja Machado, firma vizinha à Farmácia São Salvador, destrói também  as instalações e o estoque da farmácia.

1962 – Renascimento da Farmácia São Salvador, a partir das cinzas, passando a funcionar na Praça Senador Temístocles nº 725, onde hoje funciona a Ricardo Eletro.

1968 – A Farmácia São Salvador adquire as instalações da Farmácia São Roque e muda-se para o endereço Praça Senador Temístocles nº 32, onde funcionou até o encerramento definitivo das suas atividades comerciais em 2010.

1998 – Falecimento, aos 84 anos de idade, do Dr. Ramiro Magalhães Costa, fundador da Farmácia São Salvador.

Como curiosidade, nas décadas de 1930 a 1950, dentre os poucos medicamentos industrializados existentes, os campeões de vendas eram Biotônico Fontoura, Elixir de Inhame, Xarope Bromil, Emulsão Scott, Cafiaspirina, Capivarol, Guaraína, Saúde da Mulher, Ovariuteran, Regulador Xavier, Sadol, Melhoral, Alka Seltzer, Sal de Frutas Eno, Calcigenol, Leite de Magnésia Philips, etc.

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Da esquerda para a direita: Fabiano Viana Ferreira, Francisco Magalhães Costa, Carmelito Barbosa Alves, Francisco Ferreira de Souza, João Crisóstomo Peixoto e Roque de Jesus Silva

A HISTÓRIA DE SEUS BALCONISTAS

O primeiro balconista da Farmácia São Salvador foi o Sr. José Pereira, mais conhecido como Pereirinha, do qual não se sabe se ainda é vivo e nem se existem parentes em Cruz das Almas. Depois trabalharam os Srs. Francisco Magalhães Costa (1935-1937) e Manoel Magalhães Costa, ambos irmãos do Dr. Ramiro Costa, fundador da Farmácia. Outro balconista foi o Sr. Ataíde Silva Passos, que mais tarde tornou-se comerciante em Cruz das Almas.

De 1936 a 1947 trabalhou como balconista na Farmácia São Salvador o Sr. Carmelito Barbosa Alves, que veio a ser um bem sucedido comerciante e Prefeito de Cruz das Almas por três vezes.

Também trabalharam na Farmácia São Salvador: Sr. João Ferreira Sena (1945-1947) mais conhecido como João Setenta; Romualdo Sales Gonçalves, na época já sargento da Polícia Militar, atuou algum tempo como manipulador; Sr. Francisco Ferreira de Souza (1940-1943); Sr. João Crisóstomo Peixoto (1946-1960) conhecido como João da Farmácia, de onde saiu para abrir a Farmácia Bonsucesso. Em diferentes períodos trabalharam também os Srs. Benedito José da Silveira, Moreno, Antonio Menezes, Vavá, Flávio, Jorge, Crispim Maia, Orlando, Mário, Alemão, Miguel Nascimento Silva e Francisco Celso “Viola”. Um dos mais diligentes balconistas da Farmácia São Salvador foi o Sr. Antero Ribeiro da Cunha, conhecido também pela sua enorme habilidade em dedilhar um violão.

Como representantes do sexo feminino, trabalharam as Sras. Gisélia Silva Santos (1959-1965) e Teonilia Alves Sampaio (1967-1990), ambas competentes enfermeiras práticas. Mais tarde trabalhou a Sra. Maria Ivone da Silva Rodrigues (1989-1992).

Foram balconistas também os Srs. José Gomes Trindade (1984-1990), José da Paixão de Jesus Santos (1986-1989), José Carlos Ferreira Assunção (1989-1990), Jeovany Rodrigues de Barros (1988-1991 e 1993-1995) e Denis Chaves dos Santos (1992-1993). Os últimos balconistas da tradicional Farmácia São Salvador foram o Sr. Fabiano Viana Ferreira, Sr. Roque de Jesus Silva e Sra. Jacira Costa de Souza, que iniciaram em 1994, 1995 e 2009, respectivamente.

A Farmácia São Salvador encerrou definitivamente as suas atividades comerciais no dia 31 de dezembro de 2010.

(FONTE: Folheto informativo da Rede BOA FARMA: FARMÁCIA SÃO SALVADOR  –  75 ANOS DE HISTÓRIA)