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CRUZ DAS ALMAS: A ORIGEM

Cruzeiro das Almas
Extinta aquarela de Zeca Salomão, pintada na parede da Escola Comendador Themístocles, e fotografada pelo poeta Marcelo Machado.

Os índios das famílias Cariri e Sabujá (e talvez até Maracá) foram os primeiros habitantes desta terra que era rota obrigatória para os tropeiros que demandavam para o porto de Cachoeira via São Félix, principal referência comercial da época, a fim de fazer negócios e despachar mercadorias pelos barcos que levavam as mercadorias para centros bem maiores, como Salvador.

Saídos do Sertão, no caminho ainda no Planalto, os tropeiros descansavam as montarias, recuperavam-se da canseira da viagem e faziam as suas preces junto ao Cruzeiro que foi erguido pela iniciativa dos próprios tropeiros, que ali acendiam velas, rezavam às almas pedindo proteção para uma boa viagem. Ao tempo que já se formava ali um pequeno comércio onde os tropeiros trocavam e reabasteciam-se de algumas mercadorias para continuar a jornada.

A origem da denominação Cruz das Almas tem duas versões: a primeira, diz respeito a um cruzeiro que teria sido erigido pelos viajantes e que servia de ponto de referência quando, ao saírem adiantados, uns aos outros diziam: “A gente se encontra lá na cruz… a cruz das almas”, referindo-se ao cruzeiro.

A segunda versão, mais bem pouco provável, fala que devido a saudade de alguns padres lusitanos pioneiros por estas plagas, resolveram nomear esta terra homenageando a cidade natal deles, a Cruz das Almas de Portugal.

De certo mesmo é que o Cruzeiro das Almas foi absorvido pelo arraial que já se formava no entorno, constituindo a freguesia de Nossa Senhora do Bonsucesso de Outeiro Redondo e que pertenceu até o fim do Império ao Distrito de Outeiro Redondo do Município de São Félix.

Como já foi dito, os primeiros habitantes da região do Planalto Cruzalmense foram, sem dúvida, os índios. Já as primeiras casas dos brancos foram edificadas pelos tropeiros, em volta do Cruzeiro das Almas, surgindo aí o primeiro núcleo habitacional. No século XVIII, vieram para cá então, povoadores procedentes de Cachoeira, de São Félix e de outros locais do Recôncavo, atraídos pela boa qualidade do solo muito propício ao cultivo da cana-de-açúcar. Fala-se das famílias Batista de Magalhães e Rocha Passos.
Elas fundaram engenhos e iniciaram a construção do arraial no grande planalto, à margem da estrada real que, partindo de São Felix, se dirigia ao Rio de Contas e em seguida para Minas Gerais e Goiás, o que já dava visibilidade para o novo arraial.

A então Freguesia de Nossa Senhora do Bonsucesso de Outeiro Redondo que pertenceu até o fim do império ao Distrito de Outeiro Redondo do Município de São Félix.

Por Alvará Régio do Príncipe Regente Dom João, de 22 de janeiro de 1815, foi oficialmente elevada à condição de Freguesia, com o nome de Nossa Senhora do Bonsucesso de Cruz das Almas. Fora assim, portanto, criado o distrito de Cruz das Almas

E, em 29 de Julho 1897, o Arraial conquistou a Emancipação Política, sendo elevado à categoria de Vila, conforme a Lei Estadual nº 190, sendo que já em 03 de Outubro do mesmo ano foram realizadas as primeiras eleições, quando foram eleitos o Cônego Antonio da Silveira Franca como Primeiro Intendente de Cruz das Almas e os membros do Conselho Municipal.

(FONTEwww.cidades.ibge.gov.br/painel/historico. ; Guia Turístico e Histórico de Cruz das Almas,2003; O Livro do Centenário, de Alino Matta Santana, 1997; https://www1.ufrb.edu.br/herbario/cruz-das-almas)

Por Edisandro Barbosa Bingre

Paulistano apaixonado por Cruz das Almas, desde o início dos anos 80 quando aqui veio morar, o que o levou a desenvolver um grande amor por esta terra. Escritor, Professor, Técnico em Agropecuária, estudante de Gestão Pública, Cerimonialista e Servidor Público Municipal.

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